Golpes com nomes de grandes empresas fazem vítimas e acendem alerta

Criminosos usam marcas conhecidas para cobrar falsas taxas, obter dados pessoais e induzir pagamentos

Por Thaís Verderamis

Golpistas utilizam de pressão para efetuar pagamentos para que as pessoas não tenham tempo de raciocinar

Criminosos têm utilizado o nome de grandes empresas, como planos de saúde, bancos e plataformas de compra e venda, para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Segundo o especialista e diretor executivo de cibersegurança na Aegis Digital SP David Tudino, o principal mecanismo utilizado pelos golpistas é explorar a confiança e o senso de urgência das vítimas para obter dados pessoais e dinheiro.

Em Sorocaba, golpistas têm se utilizado o nome da Unimed Sorocaba, empresa médica famosa na cidade, para entrar em contato com pacientes e cobrar taxas para liberação de exames, cirurgias e afirmando que há documentos em aberto para assinar.

De acordo com a empresa, "os criminosos utilizam indevidamente o nome da cooperativa para entrar em contato com pacientes e familiares, principalmente por telefone e WhatsApp, solicitando pagamentos relacionados a exames, cirurgias e procedimentos", explica.

A Unimed tem feito campanhas de conscientização e prevenção contra golpes. Em um dos push ups dos canais oficiais, a cooperativa passa alguns alertas: "Cuidado com golpes. Quando o assunto é saúde, cuidado também é saber em quem confiar. A Unimed Sorocaba não solicita pagamentos por telefone, WhatsApp ou visitas domiciliares. Em caso de dúvida, procure sempre os canais oficiais antes de realizar qualquer pagamento".

Importância da divulgação

De acordo com a diretora executiva de mercado da Unimed Jeane Marie Peter, "é importante que a gente divulgue isso, temos divulgado através do nosso aplicativo, através do nosso portal, através dos próprios LEDs distribuídos nas ruas, para que o público se sensibilize, preste atenção, realmente, de que a Unimed não faz nenhum tipo de cobrança para liberação de exame, para liberação de cirurgia, para que o público esteja realmente atento de que se trata de um golpe", reforça.

A Unimed divulga também que os canais oficiais da empresa são o WhatsApp (15) 3229-3000 e para denúncias ou suspeita de fraudes o canal oficial é o 0800 700 7047. Além do portal e aplicativo da Unimed Sorocaba.

Pressão e conhecimento

Os relatos de tentativas e de golpes concretizados crescem a cada dia. Empresas também são vítimas ao terem o nome das marcas utilizadas nos processos criminosos. No entanto, os ataques estão cada vez mais criativos e manter informações pessoais em segurança é cada vez mais importante.

A jornalista Sandra Vergili passou por uma tentativa de golpe em um aplicativo de compra e venda de itens usados. Ao anunciar um móvel a pedidos da família, por já ter realizado outras transações de sucesso pela plataforma, recebeu o contato de um interessado.

Após o contato, o homem solicitou para dar continuidade pelo WhatsApp, realizaram algumas negociações de valores, quando, pelo número, Sandra percebeu o primeiro alerta. "Eu olhei o celular dele, era DDD21, e eu falei, olha, eu estou em Sorocaba, como é que você vai pegar o móvel e levar para o Rio de Janeiro?", questionou.

O suspeito afirmou que estava em Sorocaba a trabalho e que estava prestando serviço em uma empresa que Sandra já havia trabalhado. "Ele falou, inclusive, é uma empresa onde você já trabalhou, porque eu ouvi falar de você aqui. E eu acabei baixando a guarda, eu falei assim, ah, de fato, né, ele citou pessoas com quem eu tinha trabalhado em outra empresa e eu me senti muito à vontade", conta.

Ao final das negociações, o homem informou para Sandra que passaria um link para que ela efetuasse o pagamento de uma taxa, que era por meio desta taxa que a plataforma lucrava. Neste momento, Sandra desconfiou, por já conhecer o funcionamento do aplicativo.

"Ele continuava insistindo muito, falando das pessoas com as quais eu trabalhei e para mostrar que ele tinha conhecimento da minha vida. E isso me causou, assim, um incômodo, sabe? Para me convencer de que ele era uma pessoa íntegra, ele vasculhou a minha vida, descobriu onde eu trabalhei, provavelmente no Instagram, ele deve ter entrado e viu onde eu trabalhei, pegou algumas referências e na hora de negociar comigo, ele usou isso", conta Sandra.

O conhecimento evitou que o golpe fosse concretizado. "Eu voltei no aplicativo, comecei a procurar esse tal de link e eu descobri que isso era um golpe. Algumas pessoas entravam dentro, se faziam passar por compradores, montavam um link falso para um pix qualquer, a pessoa pagava e eles desapareciam", explica Sandra.

Confiança zero

A cibersegurança é um fator essencial que, segundo o especialista David Tudino, deveria ser ensinado a todas as pessoas, uma vez que, é importante aprender a identificar padrões e desconfiar de situações criadas por golpistas.

A desconfiança é o primeiro alerta. "Em cibersegurança, a gente tem uma metodologia que a gente chama de ' Zero Trust', ou seja, confia em ninguém, em nada, em zero. Então, se você está entrando em contato comigo, espera. De onde você é? Ah, eu sou da empresa tal. Será que é mesmo? Plantar essa dúvida no começo da conversa, talvez você já resolva", explica o especialista.

Para manter a segurança básica, David afirma que é importante não compartilhar dados pessoais, senhas, não compartilhar a tela do celular ou do computador, conferir informações antes de efetuar qualquer pagamento e conferir os canais oficiais das empresas de interesse.

Outro fator de grande importância é a urgência, golpistas utilizam de pressão para efetuar pagamentos para que as pessoas não tenham tempo de raciocinar. "Como especialista em neurociência também, sou pós-graduação em neurociência, esses gatilhos, eles são justamente, para não deixar você raciocinar, não deixar pensar. É como se ele desligasse o nosso neocórtex, o pré-frontal, que é a parte da testa, onde a gente raciocina. Então, ele meio que utiliza esses gatilhos para desligar, hackear o nosso cérebro, podemos dizer assim, e aí a gente vai utilizar o nosso cérebro reptiliano, que é da ação, de agir por impulso", explica.

De acordo com o especialista, o Brasil é o terceiro país do mundo mais atacado. "Até pela questão financeira que a gente tem, do setor financeiro, das opções, por exemplo, boleto, você não vê boleto ao redor do mundo. No Brasil tem, e aí tem Pix, tem TED, tem Doc, enfim, tem várias alternativas. E o cibercriminoso, ele explora justamente isso", afirma.

Crimes de estelionato, como são normalmente classificados os crimes virtuais, por onde as pessoas são prejudicadas através de mentiras, fraudes ou enganações podem levar famílias inteiras à falência.