Sorocaba lidera geração de empregos na construção civil e mantém ritmo de expansão
Regional abre 809 vagas em maio, o melhor resultado do Estado; crescimento é impulsionado pelo mercado imobiliário, obras de infraestrutura e novos investimentos
Enquanto parte da construção civil paulista começou a dar sinais de desaceleração na geração de empregos, a região de Sorocaba seguiu na direção oposta. Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), elaborado em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), aponta que a regional de Sorocaba registrou o maior saldo positivo de contratações no Estado em maio, com a abertura de 809 vagas formais. O desempenho contrasta com o cenário estadual, já que seis das 11 regionais analisadas encerraram o mês com saldo negativo de empregos.
Com o resultado, a regional passou a contabilizar 100,6 mil trabalhadores com carteira assinada na construção civil, acumulando crescimento de 6% em 2026 e de 5,92% nos últimos 12 meses. Para representantes do setor e especialistas ouvidos pelo Cruzeiro do Sul, o desempenho é reflexo de um conjunto de fatores que envolve a expansão do mercado imobiliário, o avanço de obras de infraestrutura, investimentos industriais e o crescimento econômico observado na região nos últimos anos.
Para o diretor da Regional Sorocaba do SindusCon-SP, Renan Persio, a continuidade das obras em andamento é um dos principais fatores para o desempenho registrado no levantamento. "Os principais fatores que eu vejo são a continuidade do ritmo das obras aceleradas que estão em andamento na nossa região. Além da incorporação imobiliária, temos obras de infraestrutura e também industriais, que ajudam a manter esse ritmo de contratação", afirma.
Segundo Persio, o resultado não está restrito ao município de Sorocaba. A regional do SindusCon reúne mais de 80 cidades e inclui municípios como Itu, Salto, Votorantim, Itapetininga, Boituva e Porto Feliz, que também vêm recebendo investimentos e novos empreendimentos.
"O desenvolvimento econômico está distribuído por toda a nossa região. Sorocaba é um importante vetor desse crescimento, mas outros municípios também têm recebido grandes obras e investimentos significativos", destaca.
Mercado imobiliário
Entre os fatores apontados pelo setor, a expansão imobiliária aparece como o principal responsável pela manutenção da demanda por trabalhadores. "A expansão imobiliária é o principal vetor por trás desse resultado. O aquecimento dos lançamentos e o avanço de obras que já estavam contratadas mantêm a demanda por mão de obra aquecida, tanto em empreendimentos residenciais verticais quanto horizontais", afirma Persio.
O cenário acompanha a expansão observada em Sorocaba nos últimos anos. Reportagem publicada pelo *Cruzeiro do Sul*, em junho, mostrou que a cidade possui 667 condomínios residenciais aprovados pela Prefeitura. Desse total, 470 já tiveram as obras concluídas, enquanto outros 197 permanecem em fase de implantação. Além disso, o sistema Aprova Digital registra 214 pedidos para construção de novos condomínios residenciais e outros 87 processos de regularização de empreendimentos.
Na ocasião, dados da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) e entrevistas com representantes do mercado imobiliário mostraram que o crescimento populacional, a demanda por moradias e a valorização de diferentes regiões da cidade vêm impulsionando novos lançamentos e ampliando a atividade da construção civil.
Embora o segmento residencial concentre a maior parte das contratações, Persio ressalta que outros investimentos também contribuem para o desempenho da regional. "A parte residencial é o principal motor da região, mas também vemos novas obras de infraestrutura, investimentos decorrentes das concessões de rodovias e a expansão de empresas, como a Toyota e o parque da Cacau Show. Tudo isso gera aumento da demanda por mão de obra."
Economia aquecida
Na avaliação do economista Marcos Canhada, o desempenho da regional de Sorocaba chama atenção justamente por ocorrer em um momento em que outras regiões do Estado apresentam perda de ritmo na geração de empregos da construção civil.
"O resultado da regional de Sorocaba chama atenção em um momento em que parte do Estado já apresenta sinais de desaceleração na geração de empregos da construção civil. Isso sugere que a região está em uma fase mais aquecida do ciclo de investimentos, com obras iniciadas anteriormente entrando em plena execução e demandando maior volume de mão de obra", analisa.
Segundo o economista, a consolidação de Sorocaba como um dos principais polos econômicos do interior paulista ajuda a explicar esse cenário. "Sorocaba consolidou-se nos últimos anos como um dos principais polos econômicos do interior paulista, combinando diversificação industrial, expansão do setor de serviços e boa infraestrutura logística. Esse ambiente favorece investimentos privados, tanto em empreendimentos residenciais quanto comerciais, industriais e de infraestrutura", afirma.
Canhada também relaciona o avanço da construção civil ao crescimento populacional e ao fortalecimento do mercado imobiliário. "O aumento da população amplia a demanda por moradias, condomínios, loteamentos e serviços urbanos. Ao mesmo tempo, a valorização do mercado imobiliário incentiva novos lançamentos, que se refletem na contratação de trabalhadores da construção civil."
Para ele, o bom momento da construção vai além da abertura de vagas nos canteiros de obras e produz efeitos sobre diferentes segmentos da economia. "A construção civil possui forte efeito multiplicador sobre a economia. Além dos empregos diretos, o setor movimenta fabricantes de materiais de construção, comércio, transporte, engenharia, arquitetura e diversos prestadores de serviços. Um saldo positivo expressivo costuma indicar um ambiente econômico mais dinâmico."
Mão de obra
O crescimento da atividade também traz desafios. De acordo com Renan Persio, a dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados continua sendo um dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas do setor. "Essa é uma carência significativa no mercado, não apenas em Sorocaba, mas em todo o país. A escassez de mão de obra qualificada representa um desafio importante para as empresas e dificulta os processos de contratação."
Segundo ele, o SindusCon-SP mantém parcerias com o Senai e outras instituições para ampliar a qualificação profissional. Entre as iniciativas está o curso de Mestre de Obras, realizado em Sorocaba, que formou mais de 30 profissionais no último ciclo e segue com alta procura.
Perspectivas
A expectativa do setor é de que a construção civil continue gerando empregos na regional ao longo dos próximos meses, impulsionada pelos empreendimentos já contratados e por novos investimentos previstos. "A gente acredita que esse crescimento continue, porque ainda há muitos lançamentos imobiliários e grandes empreendimentos previstos para a região. Também temos notícias da chegada de novas empresas, o que tende a manter a demanda por obras", afirma Persio.
O diretor ressalta, no entanto, que a continuidade desse desempenho dependerá das condições da economia. "É importante que haja redução das taxas de juros e responsabilidade nas contas públicas para que os investimentos continuem acontecendo."
Canhada faz avaliação semelhante. Para ele, a continuidade do bom desempenho dependerá principalmente do ambiente macroeconômico.
"Se as condições permanecerem relativamente favoráveis e o estoque de empreendimentos em andamento continuar elevado, Sorocaba tem condições de manter um desempenho acima da média estadual. Por outro lado, como a construção civil é um setor cíclico, é natural que o ritmo de geração de empregos se estabilize após períodos de crescimento mais intenso", conclui.