O legado de 32 permanece vivo

Cerimônia na Praça 9 de Julho homenageia os combatentes da Revolução Constitucionalista e resgata a contribuição de Sorocaba para um dos momentos mais marcantes da história paulista.

Por Caroline Mendes

09 de Julho

No feriado que marca um dos episódios mais importantes da história paulista, Sorocaba voltou a homenagear aqueles que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932. O ato cívico realizado na manhã desta quarta-feira (9), na Praça 9 de Julho, reuniu autoridades civis e militares, estudantes e moradores para lembrar o protagonismo da cidade no movimento que reivindicou a volta da ordem constitucional no País.

Embora não tenha sido palco de combates, Sorocaba teve papel estratégico durante a Revolução Constitucionalista. Conhecida na época como a "Manchester Paulista", devido ao seu forte parque industrial e à importância da Estrada de Ferro Sorocabana, a cidade tornou-se um dos principais centros de apoio logístico às tropas paulistas.

Segundo o historiador Adilson Cezar, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS), a contribuição sorocabana foi fundamental para o esforço de guerra. "Sorocaba não foi centro bélico. Quando as tropas chegaram até aqui, a Revolução já estava encerrada. Mas a cidade teve uma importância estratégica excepcional", explicou.

De acordo com o historiador, as oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana, uma das maiores do Estado à época, foram responsáveis pela construção do Trem Blindado nº 2, utilizado no transporte de tropas e em operações militares na região sul paulista.

Além disso, o Grupo Escolar Antônio Padilha foi transformado em centro de treinamento para voluntários, enquanto a Santa Casa passou a receber combatentes feridos vindos das áreas de confronto. "A população se envolveu de forma intensa. O apoio foi total, desde a produção de equipamentos até o acolhimento dos soldados", destacou Adilson Cezar.

A mobilização também envolveu as indústrias locais, que confeccionaram uniformes e equipamentos, e centenas de voluntários que se alistaram para integrar as tropas constitucionalistas. As mulheres tiveram participação decisiva ao atuarem como enfermeiras, costureiras e operárias, assumindo funções deixadas pelos homens que seguiram para o front.

Memória preservada

Durante a cerimônia, o comandante do CPI-7, coronel PM Ricardo Lopes de Souza Salomão, ressaltou que preservar a memória da Revolução é essencial para compreender a importância da democracia. "Se a gente não conhece e não valoriza a nossa história, não sabe se pautar no presente para projetar um futuro melhor", afirmou.

O coronel lembrou que, embora São Paulo tenha sido derrotado militarmente após 87 dias de conflito, os ideais defendidos pelo movimento acabaram prevalecendo. "São Paulo perdeu a batalha, mas venceu o ideal. Pouco tempo depois, a Constituição de 1934 restabeleceu a democracia. É por isso que continuamos lembrando essa data."

Segundo Salomão, a Polícia Militar mantém viva essa tradição por meio de solenidades anuais e da formação histórica de seus integrantes.

Em Sorocaba, a Praça 9 de Julho abriga um memorial dedicado à Revolução Constitucionalista, com referências ao Obelisco do Ibirapuera e a símbolos utilizados durante o conflito.

Legado para as novas gerações

Também presente na cerimônia, o diretor do Centro Industrial Nuclear de Aramar, capitão de mar e guerra Josmar Carreiro Freitas, destacou que relembrar a Revolução Constitucionalista vai além da preservação da memória histórica. "A Revolução Constitucionalista de 1932 é um marco na história de São Paulo e também do Brasil. Precisamos homenagear aqueles que lutaram pelo movimento democrático e reforçar os princípios da Constituição. É extremamente importante ver a juventude participando e conhecendo essa história", afirmou.

Noventa e quatro anos depois, o ato cívico realizado em Sorocaba reafirma a importância de preservar a memória daqueles que contribuíram para um movimento que ajudou a consolidar o caminho para a redemocratização do País. Mais do que recordar um episódio histórico, a cerimônia evidencia o protagonismo que a cidade exerceu ao colocar sua ferrovia, suas indústrias e sua população a serviço de um ideal que marcou a história de São Paulo.

Promovido pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI-7) e pelo 55º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), o evento contou com apoio da Prefeitura de Sorocaba, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS) e do Jeep Clube Torque 4.