Scuderia Bandeiras deixa a Stock Car após divergências com organização da categoria
Piloto e empresário Átila Abreu afirma que decisão foi motivada por descumprimentos contratuais e diz que equipe já estuda novos projetos no automobilismo
A Scuderia Bandeiras, equipe sorocabana criada há pouco mais de um ano e que rapidamente conquistou espaço na principal categoria do automobilismo brasileiro, não disputará o restante da temporada da Stock Car. A decisão foi anunciada pelo piloto e empresário Átila Abreu, durante entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3. Segundo ele, a saída ocorre em razão de sucessivos impasses com a organização da categoria, que, na avaliação da equipe, tornaram inviável a continuidade do projeto.
Fundada do zero, sem adquirir estruturas de outras equipes, a equipe de automobilismo reuniu nomes de destaque do automobilismo brasileiro, como Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Nelson Piquet, Rafael Suzuki e Ingo Hoffmann. Em pouco mais de um ano de atividades, conquistou cinco vitórias, duas pole positions, 14 pódios e 14 prêmios de pit stop mais rápido da categoria. "Não existe na história da Stock Car uma equipe que tenha começado do zero e alcançado esses resultados em tão pouco tempo".
Decisão
Durante a entrevista, Átila explicou que a equipe não pretendia deixar a categoria durante a temporada. Segundo ele, o planejamento previa um projeto de longo prazo e investimentos superiores a R$ 20 milhões.
O piloto afirmou, entretanto, que uma série de divergências com a organização da Stock Car levou à decisão de rescindir o contrato. "Não fizemos um investimento dessa magnitude para sair no meio da temporada. Mas as situações se tornaram insustentáveis e a decisão foi tomada para preservar nossos valores, nossos patrocinadores e tudo aquilo em que acreditamos".
Divergências
Questionado sobre os motivos da saída, Átila afirmou que os problemas começaram após a mudança da motorização da categoria, que substituiu o propulsor de quatro cilindros turbo por um motor V8.
Segundo o piloto, a organização teria repassado às equipes custos relacionados à adaptação dos carros, medida que, de acordo com ele, contrariava cláusulas contratuais firmadas anteriormente.
Átila também afirmou que, a partir dos questionamentos feitos pela equipe, passaram a ocorrer dificuldades em relações comerciais, alterações de contratos, cobranças adicionais e fornecimento de componentes que, segundo ele, estariam fora das especificações previstas no regulamento técnico. "A partir do momento em que começamos a questionar, muita coisa passou a acontecer nos bastidores, prejudicando a Scuderia Bandeiras".
O piloto declarou ainda que algumas peças fornecidas pela categoria poderiam comprometer o desempenho dos veículos e até a segurança dos competidores, além de citar a desclassificação da equipe em uma das etapas da temporada.
Bastidores
Durante a entrevista, Átila também criticou a condução administrativa da categoria.
Segundo ele, as equipes enfrentam dificuldades para apresentar questionamentos devido às regras previstas nos contratos e às penalidades financeiras aplicadas pela organização. "A gestão ficou muito complicada. Não existe diálogo. Existem multas para praticamente tudo e isso dificulta qualquer tipo de discussão".
O piloto ressaltou que mantém respeito pela história da Stock Car e afirmou que as críticas apresentadas durante a entrevista são direcionadas à atual gestão da categoria, e não à competição em si. "Não é nada contra a Stock Car. A categoria tem uma história muito bonita. O problema é a forma como a gestão vem sendo conduzida".
Futuro
Apesar da saída da Stock Car, Átila garantiu que a equipe de automobilismo continuará existindo.
Segundo ele, a equipe já iniciou conversas sobre novos projetos no automobilismo nacional e internacional, embora ainda não exista uma definição sobre qual categoria disputará nas próximas temporadas. "A Scuderia Bandeiras não deixou de existir. Ela apenas vai mudar de rota. Vamos analisar as oportunidades e construir algo ainda maior".
O piloto explicou que o momento agora é de reorganização da estrutura, que reúne mais de 50 profissionais, além de conversas com patrocinadores e parceiros antes da definição dos próximos passos.
Projeto
Ao fazer um balanço da trajetória da equipe, Átila afirmou que a equipe sorocabana nasceu com o objetivo de aproximar o público do automobilismo e apresentar uma nova forma de gestão dentro do esporte.
Segundo ele, independentemente da categoria em que venha a competir, esse propósito será mantido. "A Scuderia Bandeiras nasceu para ser algo maior. Se não for nesse caminho, vamos recalcular a rota e construir um projeto diferente".
A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://youtu.be/wBQqHqPXZYE?is=4jmVCbU1IWMOjqD8