Suplementação para pets exige orientação
Especialista alerta para riscos da automedicação, uso indiscriminado de suplementos e importância de informações completas na hora da consulta veterinária
O aumento da longevidade dos pets ampliou a busca por cuidados preventivos. Nesse cenário, suplementos, fórmulas manipuladas e tratamentos personalizados passaram a fazer parte da rotina de muitos tutores, mas também geram dúvidas sobre segurança, necessidade e eficácia.
Segundo especialistas, muitas dessas dúvidas surgem antes mesmo da consulta veterinária, influenciadas por redes sociais, vídeos curtos e recomendações de outros tutores. Entre os principais pontos estão a real necessidade do suplemento, a dosagem correta e os cuidados antes de optar por uma farmácia de manipulação.
Para orientar os tutores, o médico-veterinário e farmacêutico Rafael Pinto, destaca perguntas essenciais antes de iniciar qualquer tratamento.
A popularização dos suplementos para pets acompanha a busca por prevenção e longevidade também observada entre humanos. No entanto, o especialista alerta que muitos tutores priorizam o produto antes de entender a real necessidade do animal. Segundo ele, a questão central não é qual suplemento comprar, mas se há indicação clínica para o uso, considerando fatores como idade, raça, alimentação, rotina e histórico de saúde.
Sinais como queda de pelo, cansaço, coceira frequente ou mudanças no apetite devem ser informados ao veterinário, pois ajudam na avaliação do animal.
Em casos de medicamentos manipulados, dúvidas sobre segurança são comuns. O especialista recomenda atenção à licença do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no estabelecimento e à procedência das matérias-primas utilizadas.
Também é importante escolher a forma farmacêutica mais adequada ao pet — cápsulas, líquidos, biscoitos ou pastas — e conferir validade, armazenamento e modo de uso.
Em geral, fórmulas manipuladas têm validade média de quatro a seis meses, conforme a composição. "Se a farmácia não consegue explicar a fórmula e como ela ajudará o pet, é sinal de alerta. Informação também faz parte da segurança do tratamento", afirma.
Outra dúvida é a escolha entre medicamentos manipulados e os disponíveis em farmácias. Segundo o especialista, a decisão está ligada à personalização do tratamento.
Em alguns casos, o manipulado é indicado por permitir ajustes de dose, combinações de ativos ou alternativas para animais que têm dificuldade em aceitar comprimidos.
Para o tutor, é recomendável perguntar se existe versão industrializada, por que a manipulação foi indicada e se a dose foi ajustada para o animal.
A forma de administração influencia a adesão ao tratamento. Quando o pet recusa comprimidos, pastas ou soluções líquidas podem facilitar o uso. "Quando o pet não aceita o medicamento, o tratamento falha. Não por falta de cuidado do tutor, mas porque a forma farmacêutica não foi pensada para aquele animal", explica.
Em tratamentos contínuos, o acompanhamento veterinário deve ser frequente. Mudanças de comportamento, apatia, perda de apetite, alterações urinárias, vômitos ou variações na respiração podem indicar necessidade de ajuste de dose.
Também é fundamental informar ao veterinário todos os produtos em uso, incluindo suplementos e itens naturais, pois interações podem reduzir a eficácia ou causar efeitos adversos.
O crescimento de conteúdos sobre saúde animal nas redes sociais tem influenciado decisões dos tutores e aumentado o risco de automedicação. Segundo especialistas, suplementar sem diagnóstico pode causar excesso de nutrientes, sobrecarga de órgãos como fígado e rins ou uso desnecessário de substâncias. A recomendação é levar dúvidas e sugestões à consulta veterinária antes de qualquer compra por conta própria. (Da Redação)