Bancos alertam para golpe da falsa central telefônica

Estelionatários usam ligações, WhatsApp e até e-mails para enganar as vítimas

Por Da Redação

Clientes pensam que estão falando com bancários

Conhecido como golpe da falsa central telefônica, essa modalidade de estelionato tem feito vítimas no Brasil. Criminosos se passam por funcionários de bancos e outras instituições financeiras para conseguir dados pessoais, senhas bancárias e até induzir as transferências de dinheiro via Pix.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Fenabran), os golpistas utilizam ligações telefônicas, SMS, WhatsApp e até e-mails falsos para abordar as vítimas. Em muitos casos, os criminosos conseguem mascarar o número da ligação para que pareça realmente ser do banco, técnica conhecida como "spoofing".

No dia 1º de junho, policiais civis do Tocantins, de Sorocaba e de Itu descobriram o funcionamento de uma central clandestina, conforme noticiado pelo Cruzeiro do Sul. Os policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão.

Conforme a investigação, para fazer contato com as vítimas e dar credibilidade ao golpe, os envolvidos simulavam o atendimento de uma central oficial, com gravações e falsas transferências de ligação. Durante a conversa, convenciam as vítimas a realizar operações bancárias para supostamente cancelar transações fraudulentas.

De acordo com a Febraban, entre as estratégias mais comuns estão avisos de compras suspeitas no cartão, clonagem de conta, solicitação de atualização de segurança e até falsas investigações envolvendo a agência bancária. Também é comum os criminosos induzirem urgência para pressionar a pessoa a agir rapidamente.

A entidade reforça que bancos nunca solicitam tokens, transferências bancárias ou instalação de aplicativos por telefone. Também orienta os clientes a desligar imediatamente ligações suspeitas e procurar os canais oficiais do banco.

O advogado especialista em Direito do Consumidor, Anselmo Bastos, explica que a possibilidade de ressarcimento varia para cada caso. Segundo ele, a Justiça avalia fatores como movimentações atípicas e falhas de segurança das instituições financeiras.

"Os bancos têm responsabilidade em bloquear transações atípicas na conta do cliente, principalmente movimentações fora do horário habitual ou várias operações seguidas", afirma.

O especialista orienta que ao perceber o golpe, a vítima deve comunicar imediatamente o banco e guardar todos os protocolos de atendimento. "Isso é muito importante para acompanhamento futuro pois o banco muitas vezes nem retorno dá ao cliente. Isso servirá de prova para uma ação judicial contra o banco de danos materiais e morais", destaca.

Além disso, o advogado recomenda registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou pela internet, reunindo prints de conversas, comprovantes e qualquer outro material que possa ajudar na investigação. (Da Redação)