Primeiro semestre tem dez mortes em confrontos com a Polícia Militar
Secretaria de Segurança afirma que índice de mortes decorrentes de intervenção policial caiu em 52%
A sucessão de confrontos entre policiais militares e suspeitos de crimes em Sorocaba e região ao longo do primeiro semestre de 2026 voltou a colocar em evidência a discussão sobre o uso da força e as estratégias para a segurança dos agentes e da população.
Levantamento realizado pelo Cruzeiro do Sul, com base nas ocorrências publicadas pelo jornal, identificou dez suspeitos mortos em confrontos com a Polícia Militar entre janeiro e junho deste ano. Os casos ocorreram em Sorocaba, Salto e Alumínio, muitos deles após crimes de grande repercussão.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os índices de mortes decorrentes de intervenção policial na região de Sorocaba caíram 52% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024.
Nos confrontos deste semestre, um policial perdeu a vida em 11 de abril, quando criminosos armados trocaram tiros com a PM após um roubo a uma farmácia no Campolim.
O primeiro registro ocorreu em 16 de janeiro, em Salto, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), quando um suspeito morreu durante uma intervenção policial. Em 11 de abril, três homens foram mortos após um assalto a uma farmácia em Sorocaba. Na mesma ocorrência, um policial militar também perdeu a vida durante o confronto.
Pouco menos de um mês depois, em 8 de maio, outro suspeito morreu em troca de tiros com policiais em Salto. Em 5 de junho, três suspeitos de participação no roubo de uma farmácia em Sorocaba morreram em confronto com equipes da PM em Alumínio (RMS). Já nos dias 19 e 27 de junho, outras duas ocorrências distintas em Sorocaba terminaram com um suspeito morto em cada uma delas.
Redução
Embora a sequência desses casos tenha chamado a atenção da população, a SSP afirma que os dados oficiais mostram um cenário diferente. De acordo com a pasta, a redução de 52% é resultado de ações permanentes desenvolvidas pela secretaria, entre elas o aperfeiçoamento dos protocolos operacionais, a formação continuada dos policiais, a ampliação do uso de tecnologias e a aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo.
A secretaria ressalta que a atuação policial é pautada por critérios técnicos e legais e que todas as mortes decorrentes de intervenção policial são investigadas, com acompanhamento das corregedorias das polícias, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Medidas
Entre as medidas adotadas pelo Estado, a SSP destaca a ampliação do programa de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs), que atualmente conta com 15 mil equipamentos, e o programa Muralha Paulista, que integra mais de 125,5 mil câmeras de monitoramento espalhadas pelo Estado. Segundo a pasta, também foram investidos mais de R$ 27,8 milhões na aquisição de mais de 3,5 mil equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de incapacitação neuromuscular, espargidores e bastões retráteis.
Eficiência e mortos
Para o advogado e secretário-geral da OAB Sorocaba, Murilo Cortez, a análise da atuação policial não pode ser baseada apenas na quantidade de suspeitos mortos.
Segundo ele, um maior número de mortes não significa, necessariamente, uma polícia mais eficiente. "A repressão estatal à criminalidade no Brasil não tem por pressuposto, método ou objetivo a morte. Toda morte durante uma atividade policial é uma tragédia indesejada e deve ser evitada sempre que possível, sendo justificável apenas nas hipóteses de legítima defesa", afirma.
Na avaliação do especialista, protocolos claros, treinamento contínuo, inteligência policial e investimentos em tecnologia são fatores essenciais para reduzir confrontos letais. "Quanto mais preparada a polícia, menor tende a ser a necessidade do uso da força", observa.
Cortez também destaca a importância das câmeras corporais, não apenas para fiscalizar a atuação policial, mas também para resguardar os próprios agentes. "As câmeras corporais são ferramentas importantes para garantir legalidade, transparência e responsabilização. Em muitos casos, elas comprovam que a atuação policial ocorreu dentro dos protocolos previstos", explica.
Desafio e atuação policial
Para o secretário-geral da OAB Sorocaba, reduzir a letalidade passa por uma política de segurança pública mais ampla, que combine repressão qualificada e prevenção.
Ele defende investimentos permanentes em educação, urbanização, geração de oportunidades para jovens, combate à corrupção e fortalecimento das instituições, além da valorização das carreiras policiais. "Nenhuma política de segurança será duradoura enquanto combater apenas os efeitos da violência e negligenciar suas causas. A violência é um reflexo de problemas estruturais que precisam ser enfrentados pelo Estado e pela sociedade", conclui. (Da Redação)