Sorocaba fecha maio com saldo de 1.176 empregos formais

Com 1.176 vagas criadas em maio, mais que o dobro de abril, cidade acumula 4.890 novos postos de trabalho em 2026. Especialista aponta força da economia diversificada, mas alerta para falta de mão de obra qualificada.

Por Caroline Mendes

Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS)

O mercado de trabalho de Sorocaba ganhou força em maio e registrou seu melhor desempenho dos últimos meses. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o município fechou o mês com saldo positivo de 1.176 empregos formais, resultado de 12.957 admissões e 11.781 desligamentos. O volume representa um crescimento de 25,91% em relação a maio de 2025, quando foram abertas 934 vagas, e mais que dobra o saldo registrado em abril deste ano, de 546 postos.

Com esse desempenho, Sorocaba chega a 4.890 empregos formais gerados entre janeiro e maio de 2026, consolidando um cenário de expansão do mercado de trabalho e reforçando sua posição como um dos principais polos econômicos do interior paulista.

O setor de serviços foi o grande responsável pelo resultado, respondendo por 816 das vagas criadas no mês. Na sequência aparecem a indústria, com saldo de 309 empregos, e a construção civil, com 54. O comércio ficou praticamente estável, encerrando maio com saldo negativo de apenas três postos.

O protagonismo dos serviços acompanha a tendência observada em todo o País. Em maio, o Brasil registrou saldo positivo de 72.960 empregos formais, sendo que o setor respondeu sozinho por 45.655 novas vagas.

Para o economista e vice-presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Paulo Kikuti, o resultado de Sorocaba vai além de uma recuperação pontual e indica um movimento consistente de crescimento econômico.

"Mais importante do que o saldo mensal é observar a comparação anual. O crescimento de quase 26% em relação a maio do ano passado mostra que Sorocaba apresenta uma dinâmica econômica própria e tem conseguido performar acima de diversas cidades de porte semelhante", afirma.

Economia diversificada

Segundo Kikuti, a distribuição das vagas entre os principais setores ajuda a explicar a maturidade da economia local.

O desempenho dos serviços, responsável por quase 70% dos empregos criados em maio no município, reflete o aquecimento do consumo e da atividade econômica em segmentos como logística, saúde, educação, tecnologia e serviços corporativos.

"Quando há aumento da renda circulando na economia, cresce também a demanda por serviços. Esse movimento retroalimenta o consumo das famílias e amplia a geração de empregos", explica.

Já a indústria, que abriu 309 vagas no período, continua exercendo papel estratégico para Sorocaba.

"A indústria é o motor da economia do município. Os empregos industriais costumam oferecer salários mais elevados e exigir maior qualificação profissional, gerando um efeito multiplicador importante sobre toda a economia local."

Além da sazonalidade

O fato de maio apresentar um saldo superior ao dobro do registrado em abril pode sugerir influência de fatores sazonais. No entanto, na avaliação do economista, o desempenho não pode ser explicado apenas pelo calendário.

Embora existam movimentações típicas da indústria nesta época do ano, como a preparação da produção para o segundo semestre, Kikuti entende que o aumento das admissões revela um processo de expansão das empresas.

"O volume elevado indica ampliação dos quadros de funcionários, seja por novos investimentos que chegaram à cidade, seja pela expansão de empresas que já atuam em Sorocaba", observa.

Infraestrutura e diversificação

Para o especialista, fatores estruturais ajudam a explicar por que Sorocaba mantém um ritmo elevado de geração de empregos.

Entre eles estão a localização estratégica, próxima aos principais mercados consumidores do Estado, a infraestrutura logística, a presença de um parque industrial consolidado e uma economia diversificada, menos dependente de um único segmento produtivo.

Além disso, iniciativas voltadas à aproximação entre empresas e trabalhadores também contribuem para reduzir o tempo de contratação. Mutirões de emprego, serviços de intermediação de mão de obra e programas públicos de empregabilidade ajudam a diminuir a distância entre quem busca uma vaga e quem precisa contratar.

Desafio

Apesar dos números positivos, o cenário também apresenta desafios. O principal deles, segundo Kikuti, é a crescente dificuldade das empresas em encontrar profissionais qualificados.

A demanda por trabalhadores especializados cresce principalmente nas áreas ligadas à Indústria 4.0, tecnologia da informação e engenharias, enquanto muitas vagas permanecem abertas por falta de candidatos com a formação exigida.