Inspetor escolar sofre fratura no rosto após ser agredido por alunos em escola estadual de Sorocaba

Servidor tentou impedir entrada de adolescentes em sala onde não estavam matriculados; um dos estudantes teria desferido diversos socos contra a vítima

Por Caroline Mendes

Em caso de suspeitas, para buscar orientação, o recomendado é procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)

Um inspetor de alunos de uma escola estadual no bairro Mineirão, Zona Norte de Sorocaba, sofreu fraturas na face após ser agredido por dois estudantes adolescentes na quinta-feira (25). O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável pelo atendimento de ocorrências envolvendo adolescentes autores de ato infracional.

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados via Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender a ocorrência na unidade escolar. No local, os agentes foram recebidos pelo inspetor Guilherme Vaz de Lima, apontado como vítima.

Segundo relato prestado à polícia, o servidor teria impedido que dois alunos, de 16 e 17 anos, entrassem em uma sala de aula na qual não estavam regularmente matriculados. O inspetor orientou os adolescentes a retornarem às respectivas salas, mas a determinação não teria sido acatada.

Ainda conforme o registro policial, os estudantes passaram a apresentar comportamento agressivo. Um dos adolescentes teria empurrado o inspetor, enquanto o outro desferiu diversos socos contra o rosto da vítima.

O servidor sofreu hematomas e um corte na região do olho esquerdo. Exames realizados posteriormente apontaram fraturas na face, na região abaixo do olho esquerdo, além de lesões em estruturas próximas responsáveis pela movimentação ocular e sensibilidade do rosto. O inspetor também apresentou inchaço e hematomas ao redor do olho atingido. A direção da escola entrou em contato com os responsáveis pelos adolescentes, orientando-os a comparecerem à delegacia para o registro da ocorrência.

No despacho, a autoridade policial considerou, em tese, a prática de ato infracional análogo ao crime de lesão corporal. Como se trata de infração de menor potencial ofensivo e, até o momento, as lesões foram classificadas como de natureza leve, os adolescentes foram liberados aos responsáveis legais, mediante assinatura de termo de compromisso para apresentação futura ao Ministério Público ou à Justiça, quando convocados.

O que diz a URE

Em nota, a Unidade Regional de Ensino (URE) de Sorocaba afirmou que repudia qualquer forma de violência dentro ou fora do ambiente escolar. Segundo o órgão, assim que a situação foi identificada, a equipe da escola interveio para conter o conflito, separou os envolvidos e convocou imediatamente os responsáveis pelos estudantes.

A URE informou ainda que todos os adolescentes envolvidos foram identificados, os responsáveis orientados, a Polícia Militar acionada, o Conselho Tutelar comunicado e o boletim de ocorrência registrado. Conforme prevê o Regimento Escolar, os estudantes estão temporariamente afastados das atividades presenciais enquanto são adotadas medidas administrativas e pedagógicas, entre elas a convocação do Conselho de Escola, prevista para a próxima semana.

Sobre o estado de saúde da vítima, o órgão confirmou que o Agente de Organização Escolar recebeu atendimento médico e permanece afastado das atividades por licença médica. A instituição também informou que o caso foi registrado na plataforma Conviva e que os envolvidos foram encaminhados para acompanhamento psicológico, com o objetivo de garantir suporte emocional.

"A Unidade Regional de Ensino de Sorocaba repudia qualquer forma de violência dentro ou fora da escola", destacou a nota.