Entre motores e orações: grupo de Sorocaba une paixão pelo Fusca e fé

Pelo 3º ano consecutivo, cerca de 40 veículos antigos e mais de 90 participantes seguirão em comboio até Aparecida

Por Caroline Mendes

No próximo sábado (27), cerca de 94 pessoas embarcam em uma jornada de aproximadamente 270 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida, levando consigo histórias de vida, devoção e muito amor pelos veículos antigos.

Mais do que uma viagem sobre rodas, a peregrinação organizada pelo grupo de apaixonados por Fuscas de Sorocaba representa a união entre fé, amizade e a preservação de uma das maiores paixões automobilísticas do País. Hoje (27), cerca de 9o pessoas embarcam em uma jornada de aproximadamente 270 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida, levando consigo histórias de vida, devoção e muito amor pelos veículos antigos.

Serão 40 automóveis no comboio, sendo cerca de 90% deles Fuscas. Outros veículos incluem Kombis, Brasílias e outros clássicos que ajudam a compor o cenário nostálgico da romaria. A saída está marcada para as 5h30, mas os preparativos começam ainda de madrugada, quando os participantes se reúnem para um tradicional café de romeiro antes de pegar a estrada.

Paixão pelos motores

Criado em 2017, o grupo Amigos Aircooled surgiu de forma despretensiosa, a partir dos encontros semanais de proprietários de carros antigos em Sorocaba. O que começou como uma forma de reunir amigos e organizar passeios acabou se transformando em uma verdadeira família.

Hoje, além dos tradicionais encontros, os integrantes compartilham o cotidiano, ajudam-se mutuamente e desenvolvem ações sociais ao longo do ano. "É muito mais do que gostar de Fusca. Quando a gente percebe, toda a família já está envolvida. Esposa, filhos, todos participam. Existe um sentimento de pertencimento muito forte. É realmente uma família", afirma Pizzol.

Adoração e fé

A iniciativa de viagem nasceu há três anos a partir de um desejo simples: percorrer distâncias maiores e viver uma experiência diferente da rotina dos encontros automotivos realizados na cidade. O sucesso da primeira viagem fez com que a peregrinação se consolidasse no calendário do grupo. "Foi um colega que sugeriu fazermos uma viagem mais longa. Como a maioria das pessoas aqui é católica, embora tenhamos integrantes de diferentes religiões, pensamos em Aparecida. No começo havia aquele receio de saber se todos os carros chegariam, mas deu certo e a experiência foi muito especial", relembra um dos organizadores, Plínio Pizzol.

Para Fábio Ribeiro, um dos responsáveis pela organização do grupo, o crescimento ocorreu naturalmente. "Começamos apenas para facilitar a comunicação entre os amigos. Depois vieram as redes sociais, novos participantes e o grupo foi crescendo. Hoje temos pessoas que se ajudam em diversas situações, não apenas relacionadas aos carros", destaca.

Solidariedade sobre rodas

O espírito de união também se reflete em iniciativas sociais. Durante a pandemia, o grupo promoveu arrecadações de leite para famílias em situação de vulnerabilidade. Todos os anos, os integrantes também adotam cartinhas de crianças atendidas pelos Correios, tornando-se padrinhos e responsáveis pela compra dos presentes de Natal.

Segundo os organizadores, entre 40 e 50 crianças costumam ser beneficiadas anualmente pela ação.

A viagem até Aparecida é realizada em comboio, com duas paradas estratégicas ao longo do percurso para descanso e checagem dos veículos. Depois de cerca de 270 quilômetros de estrada, os peregrinos chegam ao Santuário Nacional no início da tarde.

Apesar do clima de confraternização que marca toda a viagem, há um compromisso que reúne todos os participantes: a celebração da fé. No fim da tarde, o grupo se reencontra no complexo da Basílica para registrar fotos e, às 18h, entra unido no santuário para participar da missa, considerada pelos organizadores o momento mais especial da peregrinação.

Última missa

A celebração escolhida pelo grupo é a última missa de sábado, que conta com o rito de consagração à Nossa Senhora Aparecida. "Esse é o compromisso que a gente faz questão de manter. Todo mundo participa da missa e da consagração. É o momento em que agradecemos pela viagem e renovamos nossa fé", destaca Plínio Pizzol.

Após a celebração, cada família segue sua programação, mas a certeza é compartilhada por todos: independentemente do modelo ou do ano de fabricação dos veículos, o que realmente impulsiona a romaria é a combinação entre amizade, tradição e fé.

Porque, para esses apaixonados por carros antigos, a estrada até Aparecida é também um caminho de encontro, gratidão e renovação espiritual.