Ambiente digital amplia riscos para crianças e adolescentes
Especialistas alertam que falsas identidades, aliciamento e falta de supervisão aumentam a vulnerabilidade de jovens nas redes sociais
A presença constante das telas na rotina de crianças e adolescentes trouxe novas formas de interação, mas também ampliou desafios relacionados à segurança e à supervisão.
Para a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, Renata Zanin, ainda existe uma percepção equivocada de que jovens dominam completamente os ambientes digitais apenas por terem familiaridade com a tecnologia.
"Precisamos parar de entender que crianças, adolescentes e pré-adolescentes têm total domínio daquele aparelho celular ou computador. Isso não é verdade. É preciso manter vigilância constante. Não se trata de invasão de privacidade, mas do exercício do poder familiar", afirma.
A psicóloga e docente da UniFacens, Flavia Otuka, observa que a construção da identidade dos jovens acontece cada vez mais conectada ao ambiente digital. "Vivemos em uma sociedade hiperconectada, em que o adolescente constrói sua identidade em contato constante com o outro, inclusive por meio dos conteúdos que consome na internet."
Nesse ambiente, vínculos podem surgir rapidamente. Conversas aparentemente inofensivas, troca de atenção, elogios e validação constante contribuem para criar uma sensação de proximidade e confiança em pouco tempo.
Segundo a delegada Renata Zanin, muitos agressores se aproveitam justamente dessa dinâmica. "Muitas vezes ele [o agressor] se passa por uma criança ou adolescente para ganhar a confiança da vítima e trazê-la para o mundo dele."
A identificação inicial reduz barreiras e facilita a continuidade da interação. Aos poucos, o agressor pode incentivar o isolamento da vítima, a afastando de familiares, amigos ou outras pessoas que poderiam perceber sinais de alerta.
Especialistas alertam que a supervisão dos adultos continua sendo uma das principais ferramentas de proteção. O acompanhamento do uso das redes sociais, o diálogo permanente e a construção de relações de confiança ajudam a reduzir vulnerabilidades e aumentar as chances de identificação precoce de situações de risco.
Em um ambiente onde conexões são estabelecidas em segundos e conteúdos circulam sem barreiras, a proteção digital exige a mesma atenção dedicada aos espaços físicos frequentados por crianças e adolescentes.