Diagnóstico precoce amplia chances de cura do câncer bucal
Dentista do Seconci-SP destaca importância da prevenção, do autoexame e das consultas regulares para identificar a doença ainda no início
O câncer bucal ainda é uma doença pouco discutida pela população, apesar de sua incidência e dos riscos associados ao diagnóstico tardio. Durante participação no quadro ‘Mãos à Obra’, da rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã desta terça-feira (23), o dentista da Regional Sorocaba do Seconci-SP, Ari Dantas de Carvalho Júnior, alertou para a importância da prevenção e da identificação precoce dos sinais da doença, que pode apresentar elevadas taxas de cura quando descoberta em seus estágios iniciais.
Segundo o especialista, muitas pessoas acabam ignorando os primeiros sintomas por acreditarem que as lesões desaparecerão naturalmente. Feridas persistentes, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na boca, nódulos na região do pescoço e alterações nos lábios e na língua estão entre os sinais que merecem atenção. “Muitas vezes as pessoas tratam essas lesões como uma simples afta ou uma úlcera passageira e não dão a devida importância. Quando uma lesão demora mais de duas semanas para cicatrizar, é fundamental procurar um cirurgião-dentista”, afirma.
Ari explica que o autoexame é uma ferramenta importante para auxiliar na identificação precoce de alterações suspeitas. Segundo ele, qualquer mudança persistente na cavidade bucal deve ser avaliada por um profissional, que poderá indicar exames complementares ou até mesmo a realização de uma biópsia, caso exista suspeita de malignidade. “O diagnóstico precoce é decisivo porque aumenta muito as chances de sucesso do tratamento e reduz a necessidade de procedimentos mais agressivos”, destaca.
Fatores de risco
Durante a entrevista, o dentista ressaltou que alguns hábitos e condições aumentam significativamente o risco de desenvolvimento do câncer bucal. Entre eles estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a exposição prolongada ao sol sem proteção adequada e a infecção pelo vírus HPV.
No caso dos trabalhadores que atuam ao ar livre, especialmente na construção civil, Ari alerta para a necessidade de proteção constante dos lábios. Segundo ele, o uso de protetor labial com fator de proteção solar é indispensável para reduzir os danos provocados pela radiação ultravioleta. “Muitas pessoas acreditam que a manteiga de cacau oferece proteção suficiente, mas isso não acontece. É necessário utilizar produtos específicos com fator de proteção adequado”, afirma.
O especialista também chamou atenção para a relação entre o HPV e alguns tipos de câncer bucal. Segundo ele, a vacinação disponível na rede pública de saúde representa uma importante ferramenta de prevenção. “A vacina ajuda a proteger contra os tipos de HPV com maior potencial de causar lesões malignas e deve ser vista como uma medida importante de prevenção”, explica.
Tratamento
Ao comentar as possibilidades de tratamento, Ari destacou que o diagnóstico precoce pode levar a índices de cura próximos de 100% em determinados casos. Segundo ele, lesões identificadas antes de sua transformação em tumores invasivos podem ser tratadas de maneira menos agressiva e com menor impacto na qualidade de vida do paciente.
“As chances de sucesso são enormes quando a doença é identificada cedo. Muitas vezes conseguimos resolver o problema de forma minimamente invasiva, evitando tratamentos mais complexos”, afirma.
Nos casos mais avançados, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. O dentista explica que avanços tecnológicos, como a utilização de laser de baixa intensidade, também têm contribuído para proporcionar mais conforto aos pacientes submetidos a tratamentos oncológicos.
Prevenção
A principal recomendação do especialista é que a população mantenha acompanhamento odontológico regular. Segundo Ari, as consultas periódicas permitem identificar alterações ainda em fase inicial, muitas vezes antes mesmo do aparecimento de sintomas mais graves.
“O dentista não avalia apenas os dentes. Durante a consulta observamos toda a cavidade bucal, incluindo língua, lábios, bochechas e outras estruturas que podem apresentar alterações importantes”, afirma.
O profissional recomenda que as consultas preventivas sejam realizadas pelo menos a cada seis meses. Para ele, a conscientização da população continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir os casos diagnosticados em estágios avançados. “Quanto mais cedo identificarmos o problema, maiores serão as chances de cura e menores os impactos para a qualidade de vida do paciente”, conclui.