Motoristas protestam por falta de pagamento e comunicação
Empresa se pronunciou no fim do dia com prazo de resolução de pendências até o dia 1º de julho
Os motoristas prestadores de serviço da Murici Transportes e Logística se reuniram nesta sexta-feira (19), na avenida Jerome Case, no Éden, em frente a sede da empresa, para protestar contra a falta de pagamento e comunicação. Os profissionais ficaram no local por 12 horas, das 5h às 17h.
A manifestação, que ocorreu de forma pacífica, tinha o intuito de chamar a atenção da empresa, para que houvesse algum parecer a respeito do pagamento. Os motoristas alegaram também que foram orientados pela Murici a utilizar os veículos, alugados pela empresa, na Localiza, para adquirir renda, enquanto a situação não fosse regularizada.
No entanto, um representante da Localiza compareceu na manifestação e, segundo os motoristas, a empresa pode prestar queixa e os profissionais podem ser presos se forem parados utilizando os veículos. A Localiza foi procurada pela reportagem do Cruzeiro do Sul, mas afirmou que “não comenta informações relacionadas a seus clientes, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”.
Durante a manifestação, um coordenador de outra operação da Murici compareceu ao local, informando que a falta de pagamento foi devido aos débitos da empresa Mercado Livre, que as empresas estariam em reunião durante todo o dia e que às 17h haveria um comunicado oficial da empresa.
Após o horário combinado, a empresa enviou uma nota aos motoristas, afirmando que estava em um cenário difícil. “A Murici Transportes vem enfrentando desafios relevantes, decorrentes de um cenário complexo que envolve fatores operacionais, financeiros e comerciais.”
A empresa afirma ainda que há débitos, mas não esclarece quem são os responsáveis. “Informamos que estamos em tratativas amigáveis junto a este cliente, visando, de forma conjunta, buscar uma solução definitiva para o encerramento dos processos e valores pendentes entre as partes, de forma que independente do eventual encerramento de relacionamento comercial, nossos colaboradores e prestadores de serviços não sejam prejudicados pelo evento”.
Em outro ponto, a empresa reconhece a gravidade da situação. "Não nos eximimos de nossas responsabilidades perante colaboradores, parceiros, prestadores de serviços e demais envolvidos”.
A empresa também alegou que a paralisação das operações com um dos clientes mais relevantes, Mercado Livre, gerou restrições e agravou a situação reduzindo a capacidade de reação da empresa.
Por fim, a empresa afirma que ambas as partes estão atuando para chegar a uma negociação e a Murici Transportes e Logística estipula um prazo até o dia 1 de julho para a “resolução final das pendências e para a tomada das decisões cabíveis.”
O que diz o Mercado Livre
O Mercado Livre foi procurado na terça-feira (16) e afirmou por meio de nota que os pagamentos estão em dia com a empresa. Confira a nota na íntegra:
“O Mercado Livre esclarece que, em 01/06, formalizou à Murici Transportes e Logística uma proposta de reorganização de parte da operação logística na região, com implementação prevista de forma gradual ao longo dos 3 meses seguintes, motivadas por comprometimentos operacionais e financeiros identificados na condução das atividades da transportadora. Todavia, em 11/06, a Murici Transportes comunicou ao Mercado Livre que não teria condições financeiras de continuar operando pelo período proposto, optando por uma resolução do contrato em período inferior.
A empresa reforça que não possui qualquer pendência financeira junto à transportadora. Todos os valores devidos pelo Mercado Livre foram quitados conforme os termos e prazos previstos em contrato. Para assegurar a continuidade do serviço aos clientes da região, o Mercado Livre implementou um plano operacional na região com o apoio de outros parceiros logísticos. "As entregas seguem sendo realizadas e a companhia permanece atendendo os consumidores locais.”
A empresa também foi procurada para atualizações a respeito dos acontecimentos desta sexta-feira (19), mas não se pronunciou até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Relatos
Segundo Rebeca Flor, uma das motoristas prestadora de serviços para a Murici há dois anos, a manifestação começou com o objetivo de segurar a carga de outro cliente da Murici para que a empresa notasse os prestadores de serviço. Após o atraso, o coordenador de operações compareceu ao local para entender o que estava acontecendo e então houve alguma ponte de comunicação com a empresa. “Nós tivemos uma ligação com a empresa e eles alegam que o Mercado Livre não pagou. A gente precisou fazer tudo isso para vir alguém dar uma resposta, porque estávamos até agora a ver navios”, conta.
De acordo com Allan César Rabelo, líder operacional da Murici há dois anos e meio, o Mercado Livre era responsável por 70% do faturamento da empresa. “A Murici é uma transportadora que lida com diversas operações e uma delas era o Mercado Livre, que detinha 70% de todo o faturamento da Murici. Quando eles rescindiram o contrato com o Mercado Livre eles deixaram mais de nove mil motoristas a nível Brasil sem o pagamento”, conta.
De acordo com o Allan, tem motoristas que aguardam o pagamento de até R$ 17 mil pelo trabalho prestado. A motorista Rebeca questiona ainda, porque a empresa afirma que o Mercado Livre não pagou, mas nas notas que lança, não deixa a informação clara. Outro motorista, Anilson Santos, que estava presente, há três anos trabalhando na Murici, conta que a empresa efetuava os pagamentos de forma correta e até antecipada, que nunca havia apresentado problemas, e as únicas mudanças eram os dias de pagamento das quinzenas. A situação só mudou no último mês quando houveram alguns atrasos e, agora.