Idosos ampliam presença no eleitorado de Sorocaba
Município soma 49 mil eleitores com 70 anos ou mais, número 36% superior ao registrado nas eleições gerais de 2022. Enquanto isso, o contingente de jovens de 16 e 17 anos aptos a votar caiu quase 20%
Mesmo sem a obrigação legal de comparecer às urnas, milhares de idosos continuam exercendo o direito ao voto em Sorocaba. Dados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) mostram que o município possui atualmente 49.092 eleitores com 70 anos ou mais, grupo para o qual o voto é facultativo. O número representa um crescimento de 36,1% em relação às eleições gerais de 2022, quando a cidade contabilizava 36.068 eleitores nessa faixa etária.
O levantamento também mostra um cenário oposto entre os mais jovens. Em 2022, Sorocaba possuía 5.083 eleitores de 16 e 17 anos. Atualmente, esse contingente é de 4.071 pessoas, uma redução de 19,9%. Com isso, o número de idosos aptos a votar é aproximadamente 12 vezes maior que o de adolescentes com voto facultativo no município.
A maior concentração está na faixa entre 70 e 74 anos, que reúne 23.713 eleitores. Em seguida aparecem os cidadãos de 75 a 79 anos, com 14.709 registros. O cadastro eleitoral sorocabano conta ainda com 6.584 eleitores entre 80 e 84 anos, 2.881 entre 85 e 89 anos e 956 entre 90 e 94 anos. Há ainda 233 eleitores com idade entre 95 e 99 anos e outros 16 com 100 anos ou mais.
Dever cívico
Para muitos idosos, a participação nas eleições vai além da obrigação legal. Aos 83 anos, o aposentado Miguel Donarie Martins afirma que continua comparecendo às urnas por acreditar que o voto é uma ferramenta de cidadania. “Eu acho que é um dever cívico. Pra você exigir alguma coisa, tem que votar para ver quem você elegeu”, afirma.
Segundo ele, o comparecimento às eleições está ligado à expectativa de contribuir para melhorias no país. “O motivo é esse. Sempre aquela esperança de que melhora”, acrescenta.
Miguel também considera positiva a participação dos adolescentes que começam a votar aos 16 anos. Para ele, o contato precoce com o processo eleitoral contribui para a formação cidadã. “É o começo para eles conhecerem como funciona a política”, diz.
Hábito preservado
Aos 80 anos, o aposentado Marcos Wladimir Cattani também faz questão de manter o hábito de votar, embora não seja mais obrigado a comparecer às urnas. “Se você não vota, não pode cobrar alguma mudança”, afirma.
Marcos conta que poderia aproveitar o dia da eleição de outras formas, mas entende que a participação continua sendo importante. “Faz 10 anos que eu não preciso votar mais. E eu vou votar”, relata.
Assim como Miguel, ele avalia que os jovens devem participar do processo eleitoral e acompanhar as decisões que impactam o futuro do país.
Jovens comparecem mais
Apesar do crescimento do eleitorado idoso em Sorocaba, os dados das últimas eleições gerais mostram que os jovens facultativos apresentaram índices de comparecimento superiores aos registrados entre os eleitores mais velhos.
Entre os adolescentes de 16 anos, o comparecimento às urnas em 2022 foi de 80,75%. Entre os jovens de 17 anos, o índice alcançou 77,10%.
Já entre os idosos, a participação diminui gradualmente conforme o avanço da idade. Na faixa entre 70 e 74 anos, o comparecimento registrado foi de 58,16%. Entre os eleitores de 75 a 79 anos, o percentual caiu para 45,52%.
A redução se torna ainda mais acentuada nas faixas seguintes. Entre os eleitores de 80 a 84 anos, o comparecimento foi de 33,03%. Entre aqueles de 85 a 89 anos, o índice chegou a 23,78%. Já entre os cidadãos de 90 a 94 anos, apenas 16,44% compareceram às urnas.
Os números indicam que, embora o eleitorado idoso esteja crescendo, fatores como limitações de mobilidade, condições de saúde e dificuldades de deslocamento podem influenciar a participação efetiva desse público no dia da votação.
Voto facultativo
Pela legislação eleitoral brasileira, o voto é facultativo para pessoas com 70 anos ou mais, jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas.
Mesmo assim, os dados do TRE-SP e os relatos dos entrevistados mostram que uma parcela significativa dos idosos continua participando das eleições por entender que o voto permanece sendo um instrumento de representação e de cobrança dos governantes.
Para Miguel Donarie Martins, essa responsabilidade não termina com a idade. “Pra você exigir alguma coisa, tem que votar”, resume.