Cremesp questiona conduta de vereadora de Iperó após denúncias de médico
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) encaminhou um ofício ao responsável técnico do Pronto Atendimento Municipal Marinheiro Marcílio Dias, em Iperó, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), solicitando esclarecimentos sobre supostas condutas atribuídas à vereadora Valéria Regina (Republicanos) durante fiscalizações em unidades de saúde do município.
No documento, datado de março deste ano, o conselho afirma ter tomado conhecimento, por meio de denúncia apresentada pelo médico Orivaldo Trimer Júnior, de que a parlamentar estaria praticando abuso de autoridade, assédio moral contra médicos, interferência em condutas médicas e instigação de pacientes contra profissionais da saúde.
O Cremesp também cita que a denúncia relata suposta extrapolação das prerrogativas parlamentares, com impactos no funcionamento dos serviços públicos de saúde. Diante dos fatos, o órgão solicitou informações sobre eventuais providências adotadas pela administração municipal e estabeleceu prazo para manifestação.
As acusações apresentadas ao Conselho têm como base registros feitos pelo médico junto à Polícia Civil. Em boletim de ocorrência registrado em fevereiro deste ano, Orivaldo relatou que a vereadora entrou em seu consultório durante um atendimento, questionou sua conduta profissional e teria solicitado que uma paciente deixasse a unidade antes da conclusão do atendimento. Segundo o médico, a parlamentar também teria afirmado que faria denúncias e mobilizaria a população para que ele perdesse o emprego.
No mesmo registro, o profissional alegou ter sido ofendido diante de pacientes e integrantes da equipe de enfermagem, além de ter sua atuação profissional questionada publicamente.
Já em um segundo boletim de ocorrência, registrado em maio, o médico voltou a acusar a vereadora de perseguição, difamação e ameaças. Conforme o documento, ele afirma que a parlamentar estaria reunindo moradores para formalizar reclamações contra seu trabalho e tentando influenciar a forma como os atendimentos eram realizados na unidade de saúde.
Nos dois casos, a Polícia Civil orientou a vítima sobre os procedimentos legais cabíveis e encaminhou os registros para análise da delegacia responsável pela área dos fatos.
Vereadora nega acusações
Procurada pela reportagem, a vereadora Valéria Regina negou as acusações e afirmou que sua atuação ocorreu em razão de reclamações recebidas da população sobre o atendimento prestado pelo médico.
Segundo a parlamentar, não houve perseguição pessoal nem abuso das prerrogativas do cargo. Ela afirma que pretende apresentar um requerimento na Câmara Municipal para obter acesso aos protocolos e reclamações registrados por pacientes contra o profissional. “Não foi nada pessoal e muito menos perseguição. Foi uma questão das reclamações que recebi da população”, declarou.
A vereadora também afirmou que não possui histórico de conflitos com servidores públicos e sustentou que suas ações ocorreram no exercício da atividade de fiscalização parlamentar.
A reportagem também encaminhou questionamentos à Câmara Municipal de Iperó para saber se a Casa foi oficialmente comunicada sobre o ofício do Cremesp, se pretende analisar a conduta da vereadora à luz das prerrogativas parlamentares e se existe a possibilidade de abertura de algum procedimento interno para apuração dos fatos. Até a conclusão da reportagem, as respostas não tinham sido enviadas. O espaço segue aberto.