Família de vidraceiro espera resposta um ano após sua morte
Policial militar move ação contra pai da vítima, por manifestações nas redes sociais
Mais de um ano após a morte do vidraceiro Anderson Queiroz Camargo, de 28 anos, em uma abordagem policial em Votorantim, a família afirma continuar sem respostas sobre as circunstâncias do caso. O episódio ocorreu em janeiro de 2025, na Vila Dominguinho, e segue sob investigação da Polícia Civil.
Anderson dirigia um carro, teria recusado uma ordem de parar o veículo e foi baleado, batendo na sequência em uma árvore.
Na semana passada, a família enfrentou mais um desdobramento judicial relacionado ao caso. O pai da vítima, Ronaldo Camargo, participou de uma audiência de conciliação em ação movida por um dos policiais militares envolvidos na ocorrência. Segundo ele, o processo foi motivado por manifestações e desabafos publicados nas redes sociais após a morte do filho.
Para Ronaldo, a principal reivindicação da família continua sendo o esclarecimento dos fatos. “A resposta que buscamos é só a verdade”, afirma. Ele questiona informações registradas no boletim de ocorrência e aponta o que considera inconsistências na investigação e nos trabalhos periciais realizados após a morte de Anderson.
“Há mais de um ano buscamos esclarecimentos e até agora nada. A Polícia Militar nunca nos chamou para dar alguma resposta. Dizem que as investigações deles foram encerradas, mas nós seguimos aguardando o trabalho da Polícia Civil”, declarou.
Após a audiência, Ronaldo informou que não houve acordo entre as partes. “Foi uma tentativa de conciliação, mas não tem como haver conciliação. Não tem lógica um negócio desses”, afirmou. Segundo ele, a família pretende recorrer dentro do prazo legal. “Agora vamos recorrer. Temos 15 dias para entrar com requerimento e vamos ver o que vai acontecer”, disse.
O pai relata que a demora na conclusão do caso agrava o sofrimento da família. Segundo ele, a perda provocou impactos emocionais profundos. “Nossa vida nunca será a mesma. Sentimos muita falta dele. Tudo o que fazemos nos lembra o Anderson. Eu já não consigo trabalhar direito e minha esposa e eu fazemos acompanhamento psiquiátrico”, relatou.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que o caso é apurado por meio de inquérito policial instaurado na delegacia de Votorantim.
Em nota, a pasta respondeu que as investigações seguem em andamento e aguardam a conclusão dos laudos periciais, considerados fundamentais para o esclarecimento das circunstâncias dos fatos. A SSP acrescentou que equipes da Polícia Civil continuam realizando diligências, oitivas e demais procedimentos para reunir elementos probatórios, identificar eventuais responsabilidades e adotar as medidas cabíveis.
“A Polícia Civil prossegue com as apurações até o total esclarecimento dos fatos”, informou a secretaria.
A reportagem também tentou falar com o policial militar autor da ação judicial contra o pai da vítima, mas não conseguiu contato. O espaço permanece aberto para manifestação.