Mau hálito pode indicar doença periodontal

Por Cruzeiro do Sul

Escovação diária continua sendo a medida mais eficaz para prevenção

O mau hálito é um dos principais sinais de que cães e gatos podem estar enfrentando problemas de saúde bucal. A doença periodontal, causada pelo acúmulo de placa bacteriana e tártaro, é uma das enfermidades mais comuns entre os animais de estimação e, quando não tratada, pode provocar desde a perda dos dentes até complicações em outros órgãos do corpo.

Segundo a médica-veterinária Isabela Eller, o chamado “bafo” é a queixa mais frequente entre os tutores que procuram atendimento odontológico para seus pets. “O sinal mais relatado pelos tutores sempre é o mau hálito. Além disso, observamos acúmulo visível de tártaro, amarelamento dos dentes, sangramento da gengiva e até perda dentária”, explica.

Em casos mais avançados, cães e gatos também podem apresentar dificuldades para se alimentar. Nos felinos, por exemplo, é comum a mudança de comportamento durante as refeições. “Alguns tutores relatam que o gato passou a preferir alimentos mais macios, como sachês, ou que deixou de mastigar a ração seca como fazia antes”, afirma a veterinária.

Embora muitos associem o tártaro apenas à estética ou ao desconforto bucal, a doença periodontal pode afetar todo o organismo do animal. “A doença periodontal é uma inflamação e uma infecção crônica. As bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e atingir órgãos como coração, fígado e rins”, alerta Isabela.

Segundo ela, a condição também pode agravar doenças já existentes. Em pacientes diabéticos, por exemplo, a presença da doença periodontal pode dificultar a resposta ao tratamento com insulina.

A médica-veterinária destaca que a escovação dos dentes continua sendo a medida mais eficaz para prevenir o acúmulo de tártaro. “Muita gente pergunta se precisa escovar os dentes todos os dias e a resposta é sim. A placa bacteriana se forma em cerca de 24 a 48 horas e, para evitar que ela se transforme em tártaro, é necessário removê-la diariamente”, orienta.

A recomendação é que cães e gatos sejam acostumados à escovação desde filhotes, utilizando escovas de cerdas macias e cremes dentais específicos para uso veterinário. Outros recursos, como petiscos dentais e brinquedos para mastigação, podem auxiliar na higiene bucal, mas não substituem a escovação. “Eles podem complementar os cuidados, mas não têm a mesma eficiência da escovação diária”, ressalta.

Ao notar sinais de tártaro, gengivite ou inflamação na gengiva, a orientação é procurar avaliação profissional o quanto antes. “A gente nunca recomenda esperar acumular mais. Quanto mais tempo a doença evolui, maior é a multiplicação das bactérias e os danos aos tecidos que sustentam os dentes, aumentando o risco de perda dentária”, explica.

A frequência das avaliações odontológicas varia de acordo com cada animal. Em geral, a recomendação é realizar consultas preventivas a cada seis meses ou um ano. “Raças pequenas costumam apresentar maior predisposição ao acúmulo de tártaro e, por isso, normalmente precisam de acompanhamento mais frequente”, conclui a veterinária. (Camila Santos)

 

MEU BICHINHO

Esse é o Meias, gato da Karina e da Lara. Ele apareceu de mansinho, se alimentando no telhado da casa, e logo conquistou seu espaço na família. O nome veio de uma característica marcante: seu pelo é na maior parte preto, mas as patinhas brancas dão a impressão de que ele está sempre usando meias.

 

A coluna Meu Pet é publicada todas as quartas-feiras no Cruzeiro do Sul, com informações e orientações sobre o universo dos animais de estimação