Proteção contra bronquiolite começa antes do nascimento

Por Cruzeiro do Sul

Disponível gratuitamente pelo SUS para gestantes, vacina protege recém-nascidos contra formas graves do vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos de bronquiolite

A bronquiolite está entre as principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A doença, que afeta as vias respiratórias, é causada, na maioria das vezes, pelo vírus sincicial respiratório (VSR), um agente infeccioso que agora pode ser combatido antes mesmo do nascimento, por meio da vacinação das gestantes.

Disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é aplicada durante a gravidez e tem como objetivo transferir anticorpos da mãe para o bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, período em que as complicações costumam ser mais frequentes.

Segundo a pediatra Daniela Barbieri, o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite. O vírus provoca infecções respiratórias agudas e pode evoluir para quadros graves, especialmente em recém-nascidos e crianças pequenas. “O vírus sincicial respiratório causa infecções respiratórias agudas. Nos bebês, as vias aéreas têm um calibre menor, e qualquer acúmulo de secreção reduz a troca gasosa, levando à falta de ar”, explica.

De acordo com a médica, o organismo tenta compensar essa dificuldade aumentando a frequência respiratória e utilizando músculos do tórax e do pescoço para respirar. “Esse quadro caracteriza uma insuficiência respiratória. Dependendo da gravidade, a criança pode precisar de suporte de oxigênio e até de internação hospitalar”, afirma.

Além da bronquiolite, o VSR também pode causar pneumonia viral e favorecer infecções secundárias, como pneumonias bacterianas.

Bebês vulneráveis

As complicações costumam ser mais graves nos primeiros meses de vida. Segundo Daniela, isso ocorre porque os bebês possuem vias respiratórias mais estreitas e ainda estão desenvolvendo suas defesas imunológicas. “As crianças menores possuem vias aéreas de menor calibre e algumas ainda não completaram o calendário vacinal, por isso são mais vulneráveis e podem evoluir para quadros mais graves”, explica.

A pediatra lembra que, durante sua atuação em um hospital de referência para casos graves, era comum atender crianças com comprometimento respiratório importante. “Chegavam principalmente os pacientes mais graves, muitas vezes com insuficiência respiratória avançada e próximos da necessidade de intubação”, relata.

Proteção na gestação

A estratégia adotada pelo SUS é vacinar a gestante para que os anticorpos produzidos pela mãe sejam transferidos para o bebê por meio da placenta.

A recomendação é que a imunização seja realizada entre a 32ª e a 36ª semana de gestação. “A vacina é aplicada em dose única e deve ser feita pelo menos 14 dias antes do parto para que o bebê receba os anticorpos maternos por via transplacentária”, explica Daniela.

Ela ressalta que o imunizante é seguro tanto para a mãe quanto para a criança.

Menos riscos

Embora a vacina não impeça totalmente a infecção pelo vírus, ela reduz significativamente o risco de evolução para quadros graves. “A criança pode entrar em contato com o vírus, mas já terá anticorpos para combatê-lo. Muitas vezes, a doença acaba se manifestando apenas como um resfriado comum, evitando internações e complicações mais sérias”, afirma a pediatra.

O Ministério da Saúde destaca que o VSR é o principal responsável por hospitalizações de bebês e crianças pequenas. O vírus está associado a cerca de 75% dos casos de bronquiolite e a aproximadamente 40% das pneumonias em crianças menores de 2 anos.

Vacinação em Sorocaba

De acordo com a Prefeitura de Sorocaba, a vacina para gestantes está disponível nas 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. A cobertura vacinal entre as gestantes atendidas pela rede pública é de 83,44%.

Além da vacina, Sorocaba recebeu 388 doses de Nirsevimabe, anticorpo monoclonal destinado a prematuros com menos de 37 semanas de gestação e crianças menores de 2 anos com comorbidades. A aplicação ocorre mediante agendamento pela UBS de referência e é realizada na UBS Escola.

Dados da Secretaria Municipal da Saúde mostram que, em 2025, foram registrados 46 casos de VSR em crianças menores de 1 ano no município. Em 2026, até o momento, foram contabilizados 11 casos. Não houve óbitos relacionados ao vírus nos dois períodos.

Para Daniela, a informação sobre a vacina é uma das principais ferramentas para ampliar a proteção dos recém-nascidos. “Hoje, acredito que boa parte das gestantes já esteja sendo orientada a se vacinar, principalmente porque a vacina está disponível pelo SUS. Quanto mais mulheres receberem a dose durante a gravidez, maior será a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida”, conclui. (C.M.)