'Já havia meses que eu relatava os machucados e nada era feito', diz pai de bebê morto em Sorocaba
Sem querer se identificar, o pai disse que via o filho de duas a três vezes por semana até perder contato com a criança
O pai biológico do bebê de 1 ano e 2 meses que morreu com sinais de espancamento e abuso sexual em Sorocaba afirmou que já havia denunciado machucados no corpo da criança antes da morte e que tentava manter contato frequente com o filho, mas enfrentava dificuldades impostas pela mãe do menino. Em entrevista, nesta quinta-feira (4), ele relatou que familiares e outras pessoas próximas também teriam alertado sobre possíveis maus-tratos meses antes do caso. Ele não indicou para qual órgão fez as denúncias.
Sem querer se identificar, o pai disse que via o filho de duas a três vezes por semana até perder contato com a criança. “Via ele duas a três vezes por semana, até a mãe dele começar a barrar, reclamar e sumir, até mesmo me bloquear e me ameaçar. Por várias vezes não conseguia pegar ele”, afirma.
Segundo ele, a última vez que esteve com o menino foi no fim de semana anterior à morte, quando voltou a denunciar marcas no corpo da criança. “Semana passada, durante o final de semana, quando novamente denunciei os machucados que haviam nele.”
O pai afirmou que o bebê era calmo e descreveu a relação que tinha com o filho como próxima e afetuosa. “Era uma relação de muito amor e carinho. Saía para passear com ele, conhecer os bichinhos, ir pescar. Minha família toda e amigos eram apaixonados por ele pelo sorriso e pelo jeito carinhoso”, diz.
Ele também afirmou que recebeu relatos anteriores sobre possíveis agressões e que chegou a procurar a mãe da criança durante a madrugada em algumas ocasiões para tentar buscar o filho. “Já havia recebido relatos e por várias vezes saí de casa de madrugada para ir até ela e tentar pegar meu filho. Outras pessoas tentaram alertar diversas vezes e não resolveu nada”, conta.
De acordo com o relato, denúncias e conversas teriam sido feitas antes da morte da criança, incluindo o envio de fotos mostrando os ferimentos. “Já tinham sido apresentadas fotos, mas a desculpa era sempre a mesma: que a criança se machucava e estava passando por médicos. Foram empurrando dessa forma até o ocorrido.”
O pai também criticou a falta de providências após os alertas feitos pela família. “Claramente tanto eu quanto os avós maternos já havíamos relatado os ocorridos. Já tinham recebido denúncias sobre isso e nada foi feito.”
Ao falar sobre a notícia da morte do filho, ele afirmou ter recebido a informação durante a madrugada, ao chegar em casa após o trabalho. “Foi da pior forma, por ligação. Ainda não consigo acreditar que alguém que se diz mãe teve capacidade de fazer isso contra um bebê indefeso. Meu sincero desejo é de justiça”, declarou. Segundo ele, familiares e amigos seguem abalados com o caso. “Toda minha família e amigos se encontram abalados. Tenho encontrado forças para amenizar a dor deles e a minha. Meu filho era uma criança doce, sorridente e carinhosa.”
Relembre o caso
O bebê de 1 ano e 2 meses morreu após ser levado ao Pronto Atendimento da Zona Norte de Sorocaba na noite de segunda-feira (1º). Inicialmente, a mãe e o padrasto disseram que a criança havia se engasgado.
Durante o atendimento, médicos identificaram sinais de violência pelo corpo da vítima, incluindo afundamento de crânio, ferimentos em diferentes regiões e lesão anal. A mãe e o padrasto, ambos de 21 anos, foram presos em flagrante e tiveram a prisão mantida após audiência de custódia. O caso é investigado pela Delegacia da Mulher (DDM) de Sorocaba.