Economista vê tarifaço dos EUA como medida protecionista e alerta para impactos
Ambiente nebuloso criado pelos americanos é um dos maiores problemas nas regras comerciais
As novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados voltaram a gerar preocupação entre empresários e exportadores brasileiros. Para o economista e professor universitário Renato Vaz Garcia, as medidas têm forte caráter protecionista e podem provocar impactos em setores específicos da economia nacional, especialmente na indústria de máquinas e equipamentos. Durante entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (3), o especialista avaliou os possíveis efeitos das decisões anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump e criticou as justificativas apresentadas pela Casa Branca.
Segundo Garcia, o principal problema não é apenas a tarifa em si, mas o ambiente de incerteza criado pelas mudanças frequentes nas regras comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Para ele, a falta de previsibilidade acaba afetando decisões de investimento e planejamento das empresas. “Você nunca sabe qual será o próximo passo do Trump. O simples fato de viver em um cenário econômico de incerteza já preocupa empresários e trava investimentos”, afirma.
De acordo com o economista, entre os segmentos mais expostos às novas tarifas está a indústria de máquinas e equipamentos, além de alguns produtos agrícolas específicos. Itens como café e suco de laranja ficaram fora da lista inicial por representarem produtos relevantes para o mercado consumidor norte-americano, mas outros setores podem sentir impactos caso as medidas avancem.
Pix
Um dos pontos que mais chamaram a atenção do especialista foi a inclusão do Pix entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a adoção de medidas comerciais contra o Brasil. Segundo Garcia, a alegação de que o sistema brasileiro de pagamentos representaria uma forma de concorrência desleal não encontra respaldo técnico do ponto de vista econômico.
Para ele, o Pix se tornou uma das principais inovações financeiras desenvolvidas pelo País e trouxe ganhos de eficiência para consumidores e empresas. “O Pix é uma das maiores inovações financeiras já desenvolvidas no Brasil. Ele beneficia consumidores, empresas brasileiras e até multinacionais que atuam no País”, afirma.
O economista avalia ainda que a crítica ao sistema brasileiro revela uma postura contraditória dos Estados Unidos, país que historicamente construiu sua economia com base em inovação tecnológica. “É uma justificativa muito oportunista. Os Estados Unidos cresceram justamente por meio da inovação”, diz.
Negociação
Durante a entrevista, Garcia destacou que a principal alternativa para o Brasil continua sendo a negociação diplomática. Segundo ele, apesar do anúncio das tarifas, ainda há espaço para revisão das medidas antes de sua efetiva implementação, especialmente porque já existiam conversas em andamento entre representantes dos dois países.
O economista também acredita que o Brasil deve continuar ampliando mercados consumidores para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos. Para ele, movimentos como esse costumam levar empresas a buscar novas oportunidades comerciais. “A partir do momento em que uma empresa perde competitividade em um mercado, ela naturalmente passa a buscar novos parceiros comerciais”, afirma.
Mercados
Segundo Garcia, a atual postura norte-americana pode acabar fortalecendo relações comerciais do Brasil com outros países e blocos econômicos, especialmente na Ásia. Na avaliação dele, a China tende a ganhar espaço como parceira comercial diante das dificuldades impostas pelos Estados Unidos.
Além disso, o economista considera que medidas unilaterais acabam incentivando empresas e governos a diversificar mercados e buscar alternativas comerciais. “Os Estados Unidos acabam empurrando outros países para buscar alternativas. Isso pode abrir novas oportunidades comerciais para o Brasil”, afirma.
Agronegócio
O especialista também destacou a importância do agronegócio para a economia brasileira e afirmou que o setor continua sendo um dos mais competitivos do mundo. Segundo ele, produtos como soja, carnes e outras commodities possuem vantagens produtivas difíceis de serem reproduzidas por concorrentes internacionais.
A entrevista completa você pode acessar pelo link: https://www.cruzeirofm.com.br/2026/06/03/noticias/entrevistas/tarifas-dos-eua-sobre-o-brasil-acendem-alerta-para-exportacoes-e-competitividade/