Obesidade em pets preocupa veterinários e exige atenção dos tutores

Por Cruzeiro do Sul

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O hábito de oferecer petiscos como demonstração de carinho, aliado ao sedentarismo e à alimentação desregulada, tem contribuído para um problema cada vez mais comum entre cães e gatos: a obesidade. Muitas vezes tratada apenas como uma questão estética, a condição pode trazer impactos sérios à saúde, comprometendo a mobilidade, favorecendo o surgimento de doenças e reduzindo a expectativa de vida dos pets.

A médica-veterinária Danielle Assis explica que os sinais da obesidade podem ser percebidos tanto fisicamente quanto no comportamento dos animais. “O principal sinal é o acúmulo de gordura corporal e o excesso de peso. Ao passar a mão no tórax, por exemplo, se torna difícil sentir as costelas. Além disso, o animal perde a cintura e apresenta aumento do volume abdominal”, detalha.

Segundo ela, algumas mudanças na rotina também servem de alerta. Menor disposição para brincadeiras e passeios, cansaço excessivo, dificuldade para subir escadas ou pular e respiração ofegante estão entre os sintomas mais frequentes em pets acima do peso.

A obesidade ocorre quando o consumo calórico supera o gasto de energia. Danielle destaca que o problema está diretamente ligado à rotina alimentar inadequada e ao excesso de petiscos. “Quando ofertados com cautela, os petiscos não oferecem riscos. O problema está no excesso e na falta de controle da quantidade diária de alimento”, afirma.

Estudos apontam que a obesidade pode reduzir em até dois anos a expectativa de vida dos animais. Para a veterinária, os impactos vão muito além da aparência física. “O excesso de peso exerce sobrecarga nos ossos, articulações e músculos de cães e gatos. Com o tempo, essa condição favorece o surgimento ou agravamento de doenças ortopédicas”, explica.

Entre os problemas mais comuns estão osteoartrite, displasia coxofemoral, displasia de cotovelo, hérnias de disco e outras alterações na coluna. “O grande problema dessas doenças é a dor e a dificuldade de mobilidade, que acabam agravando ainda mais o quadro de obesidade e diminuindo a qualidade de vida”, ressalta.

Apesar disso, Danielle reforça que demonstrar afeto aos animais não precisa estar associado apenas à comida. “Os petiscos ainda representam uma forma de carinho para muitos tutores, mas o afeto vai muito além disso. Brincadeiras, passeios e momentos de interação fortalecem o vínculo e ainda contribuem para a saúde física e emocional dos pets”, pontua.

A orientação é que os tutores busquem equilíbrio entre alimentação, atividades físicas e acompanhamento veterinário. Encontrar brincadeiras que o animal goste e estimular o movimento diário ajudam a combater o sedentarismo e prevenir problemas futuros.

Para Danielle Assis, cuidar da saúde dos pets também é uma forma de amor. “A alimentação deve fazer parte do cuidado, mas não pode ser condicionada ao afeto. O excesso, mesmo quando vem de boas intenções, pode trazer consequências importantes para a saúde dos animais”, conclui. (Camila Santos)

 

MEU BICHINHO

Xam foi encontrado ainda filhote, abandonado dentro de uma caixa ao lado de um contêiner de lixo. Adotado pela moradora de Sorocaba Simone Aparecida Constantino, o gatinho especial, que possui deficiência nas patas traseiras, se tornou um exemplo de superação e carinho dentro de casa. Hoje, aos 8 anos, Xam leva uma vida cheia de energia, brincadeiras e muito amor no Jardim Paraná.

A coluna Meu Pet é publicada todas as quartas-feiras no Cruzeiro do Sul, com informações e orientações sobre o universo dos animais de estimação

 

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