Motorista que matou menino em atropelamento tem prisão preventiva decretada

Mãe de William, de 10 anos, cobra justiça e relata sofrimento um mês após a morte do filho

Por Da Redação

William -10 anos

O homem de 51 anos acusado de atropelar e matar o menino William, de 10 anos, na zona norte de Sorocaba, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e permanece preso após audiência de custódia realizada na última quinta-feira (21). De acordo com as investigações, ele teria descumprido uma determinação judicial ao viajar para o estado de Rondônia no dia seguinte ao acidente. A prisão preventiva pode se estender por até dois anos durante o andamento do processo.

Em entrevista ao jornal Cruzeiro do Sul, a mãe da criança, Jessyka Almeida, afirmou acreditar que a prisão ocorreu em razão da fuga do acusado e não pela morte do filho. “Ele tirou a vida do meu único filho. Nunca mais vou passar um Dia das Mães com ele, não vou saber o que ele seria quando crescesse. Não vai ter mais aniversários. Quero justiça.”

William morreu após ser atropelado no dia 25 de abril. Um mês após a tragédia, Jessyka relata que ainda enfrenta as consequências emocionais da perda e diz que sua rotina foi completamente transformada. “William era muito amado, alegre e agora só deixou saudades. Não consegui nem me despedir dele.”

Segundo a mãe, o luto tem afetado sua saúde física e emocional. Ela conta que não consegue dormir sem medicação, faz uso de calmantes, sofre com pesadelos frequentes e precisou deixar a casa onde morava com o filho por causa das lembranças. “Minha vida acabou no dia 25. Não consigo trabalhar, não tenho vontade de acordar e estou começando tratamento com psicólogo, porque não está nada fácil.”

Jessyka também criticou a liberação do motorista após o pagamento de fiança, logo depois do acidente, e afirmou que se sente revoltada com a situação.

William era filho único e, segundo a mãe, recebia todo o carinho e dedicação da família. “Eu sempre trabalhei para dar a ele o melhor que podia. Era uma criança muito querida, alegre e amada por todos. Hoje, só ficaram as saudades.”

A mãe afirma que continuará acompanhando o caso e cobrando providências das autoridades para que o responsável seja punido. “Não vou me calar até que a justiça seja feita pelo meu filho.”

Relembre o caso

O homem de 51 anos acusado de atropelar e matar uma criança de 10 anos na zona norte de Sorocaba foi preso pela Polícia Civil no dia 20 de maio. O acidente aconteceu em 25 de abril, quando a vítima andava de bicicleta e foi atingida pelo veículo conduzido pelo investigado.

Segundo a Polícia Civil, as investigações apontaram que o motorista consumiu bebida alcoólica por mais de seis horas antes do atropelamento. Além disso, ele estaria dirigindo acima da velocidade permitida e com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.

Após o acidente, o homem realizou o teste do bafômetro, que registrou 1,15 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões, índice considerado muito acima do limite que caracteriza crime de trânsito. Duas garrafas de cerveja também foram encontradas dentro do veículo.

Ele foi preso em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo, com agravante de embriaguez ao volante. No entanto, a Justiça concedeu liberdade provisória mediante medidas cautelares, entre elas a proibição de deixar a cidade sem autorização judicial.

De acordo com a investigação, o acusado descumpriu a determinação e viajou para o estado de Rondônia no dia seguinte ao acidente. Diante da violação da medida judicial, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva, que foi autorizada pela Justiça.

As buscas contaram com apoio das polícias civis de Rondônia e de Capivari. A defesa informou ao delegado responsável pelo caso, Acácio Aparecido Leite, que o homem se apresentaria voluntariamente.

Na quarta-feira (20), acompanhado dos advogados, ele compareceu ao 8º Distrito Policial de Sorocaba, onde teve a ordem de prisão cumprida.(Maria Calara Campos - Programa de Estágio)