Legado bandeirante e mineração marcam os 34 anos de Araçariguama
Araçariguama também celebra 34 anos de emancipação político-administrativa hoje (19). O município, localizado na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) e a cerca de 50 quilômetros da capital paulista, carrega uma trajetória marcada pela mineração, pela presença bandeirante e pela preservação de importantes marcos históricos do interior paulista.
Com paisagens formadas por montanhas, lagos e cachoeiras, Araçariguama integra o Roteiro dos Bandeirantes e reúne patrimônio histórico, tradição religiosa e desenvolvimento econômico construído ao longo dos séculos.
A história do município começa oficialmente em 1590, quando o mameluco Affonso Sardinha, conhecido como Capitão-Mor de São Paulo de Piratininga, registrou a descoberta de ouro nas proximidades do Morro do Vuturuna. O episódio é considerado o marco histórico da formação da cidade.
Em 1605, Affonso Sardinha ergueu uma capela dedicada à Santa Bárbara, considerada protetora dos mineiros e militares, ao pé do Morro do Vuturuna, região onde foi encontrado um importante depósito de ouro.
Entre 1625 e 1640, fazendeiros e bandeirantes vindos principalmente de Santana de Parnaíba passaram a ocupar áreas próximas ao Rio Tietê e territórios que hoje pertencem a Araçariguama. Muitos fixaram residência na região devido à exploração do ouro.
Em 1648 foi edificada a Capela de Nossa Senhora da Penha, construída em taipa de pilão por Gonçalo Bicudo Chassin. A construção religiosa deu origem ao vilarejo que posteriormente se transformaria no povoado de Araçariguama.
Poucos anos depois, em 1653, a capela foi elevada à condição de paróquia, tornando-se uma das mais importantes do território então pertencente à Vila de Parnaíba. A igreja permanece até hoje na área central do município e segue como um dos principais símbolos históricos e religiosos da cidade.
Outro marco religioso surgiu entre 1650 e 1653, quando foi construída a Capela de Nossa Senhora da Conceição em parte da Fazenda Araçariguama, adquirida pelo Capitão-Mor Guilherme Pompeu de Almeida. Ao longo dos séculos, essas construções ajudaram a consolidar a tradição religiosa do município, preservada até os dias atuais.
Ouro e mineração
A mineração teve papel decisivo no desenvolvimento econômico da cidade durante séculos. A exploração aurífera impulsionou a ocupação da região e movimentou a economia local desde o período colonial.
Em 1926, a empresa Saint George Gold Mine obteve autorização para exploração da Mina do Ouro de Araçariguama. Segundo registros históricos, aproximadamente 45 quilos de minério eram extraídos mensalmente na época.
Em 1934, porém, a Mina do Ouro de Araçariguama foi lacrada por determinação do então presidente Getúlio Vargas após denúncias de desvio de minério. No mesmo ano, Araçariguama perdeu sua autonomia político-administrativa e voltou à condição de distrito de São Roque.
Nova emancipação
O cenário começou a mudar na década de 1960, com a construção da rodovia Castello Branco durante o governo Ademar de Barros, trazendo novas perspectivas de crescimento para a região.
Décadas depois, em 1991, Araçariguama reconquistou sua autonomia político-administrativa após movimento emancipador liderado por Severino Alves Filho, conhecido como Paraíba.
Após plebiscito realizado em 19 de maio daquele ano, o então governador Luiz Antonio Fleury Filho assinou a Lei Estadual nº 7.665/91, restabelecendo Araçariguama à condição de município emancipado.
Favorecida pela localização estratégica às margens da rodovia Castello Branco, Araçariguama passou a atrair empresas e investimentos, consolidando crescimento econômico nas últimas décadas.
Mesmo acompanhando o desenvolvimento regional, a cidade preserva construções antigas, patrimônios religiosos e referências ligadas ao período bandeirante e à mineração, mantendo características que ajudaram a construir a identidade do município. (J.F.)