Alambari celebra aniversário entre tradição, fé e vocação rural

Por João Frizo

A cidade preserva tradições religiosas e forte ligação com o campo mesmo após mais de três décadas de emancipação

A cidade de Alambari completa 34 anos de emancipação político-administrativa hoje (19). Localizado na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), o município preserva características típicas das pequenas cidades do interior paulista, mantendo forte ligação com a agricultura, a pecuária e as tradições religiosas que marcaram sua origem.

A história de Alambari começa ainda no século 19, por volta de 1820, quando o major Domingos Afonso, morador de Itapetininga, seguia viagem para Guaratinguetá acompanhado da esposa e do filho, Afonso. Durante o percurso, o menino caiu do animal em que viajava e sofreu uma grave fratura no crânio.

Diante da situação, os pais fizeram uma promessa: caso o filho sobrevivesse, construiriam uma capela dedicada ao Senhor Bom Jesus de Alambari no local do acidente. O menino se recuperou completamente e, anos depois, a promessa começou a ser cumprida.

Enquanto o jovem Afonso seguia os estudos religiosos até tornar-se sacerdote, os pais davam andamento à construção da capela, concluída em 1842. A igreja se tornou o principal ponto de formação da comunidade e impulsionou o crescimento da então povoação.

O desenvolvimento populacional levou Alambari à condição de freguesia e também de paróquia em 1861. Apesar da ligação da família com a igreja, o padre Afonso morreu antes de assumir funções religiosas na localidade.

A religiosidade segue presente na identidade cultural da cidade até hoje. O padroeiro do município é o Senhor Bom Jesus, celebrado tradicionalmente em 6 de agosto.

Além da fé, a história de Alambari também foi marcada pela chamada “Indústria das Pederneiras”. O antigo Mato das Pederneiras possuía grande quantidade de pedras utilizadas para produção de fogo, movimentando a economia local durante décadas. A atividade perdeu força com a popularização do fósforo.

Com o passar do tempo, a agricultura passou a ocupar papel central no desenvolvimento da cidade. Historicamente, a produção rural incluiu culturas como algodão, café, cana-de-açúcar, cereais, mandioca, legumes e fumo.

Força rural

Mesmo após a emancipação político-administrativa, oficializada pela Lei Estadual nº 7.644, de 30 de dezembro de 1991, o município manteve forte ligação com o campo e com as atividades agropecuárias.

Hoje, as principais atividades econômicas de Alambari continuam sendo a agricultura e a pecuária. Entre as culturas agrícolas presentes no município estão feijão, milho, mandioca, laranja, hortifrutigranjeiros e eucalipto.

Na pecuária, um dos destaques é a produção de leite de búfala. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que Alambari já registrou a maior produção de leite de búfala do estado de São Paulo e a terceira maior do Brasil, atrás apenas de Autazes (AM) e Almeirim (PA).

A cidade também mantém forte presença rural em sua composição territorial. Dos cerca de 5,9 mil habitantes estimados pelo IBGE em 2018, aproximadamente 34% vivem na área rural.

Interior

Localizada a cerca de 156 quilômetros da capital paulista, Alambari possui acesso pelas rodovias Raposo Tavares (SP-270), Humberto Pellegrini (SP-268) e Antônio Romano Schincariol (SP-127).

Além da área central, o município é formado por bairros como Tatetu, Cercadinho, Ribeirãozinho, Cerrado, Perobal, Barra, Capoavinha, Aterradinho, Sapezal, Recanto dos Pássaros, Luar do Sertão, Vila Corrêa e Jardim Brasil.

Mesmo acompanhando o desenvolvimento da região nas últimas décadas, Alambari preserva tradições culturais, religiosas e rurais que atravessam gerações.

Neste aniversário, a cidade celebra não apenas mais um ano de emancipação político-administrativa, mas também uma história construída a partir da fé, do trabalho no campo e das tradições que seguem presentes na identidade do município.