‘Zero constrangimento’, diz Guilherme Derrite sobre ato com Flávio Bolsonaro
Pré-candidato ao Senado comenta repercussão envolvendo o senador e o empresário Daniel Vorcaro durante evento em Sorocaba
O deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), negou qualquer constrangimento por participar de agendas políticas ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL), após a repercussão do caso envolvendo o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Derrite lançou sua pré-candidatura ao Senado em Campinas, na sexta-feira (15), e em Sorocaba, na manhã deste sábado (16), acompanhado de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Questionado sobre a repercussão do caso, o deputado afirmou que não vê motivos para desconforto e destacou sua atuação em pedidos de investigação relacionados ao Banco Master.
“Zero constrangimento, porque, primeiro, eu respondo pelos meus atos. Segundo, eu fui um dos primeiros deputados a assinar a CPI do Banco Master e, depois, a CPMI do Banco Master. Então, durmo com a consciência tranquila. Também não gosto de fazer nenhum tipo de pré-julgamento antes que qualquer pessoa acusada de irregularidade possa se defender”, afirma.
Segundo Derrite, as denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro fazem parte de ataques promovidos por adversários políticos. O deputado também afirmou que o senador já se manifestou publicamente sobre a relação com Vorcaro por meio de vídeo divulgado nas redes sociais.
O parlamentar acrescentou ainda que os fatos divulgados ocorreram há cerca de dois anos, antes de o caso envolvendo o Banco Master se tornar público.
Durante a coletiva de imprensa, Derrite também comentou sobre a vaga ao Senado anteriormente associada ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.
“O fato de eu retornar para o Partido Progressistas foi justamente porque a primeira vaga do Senado era do Eduardo Bolsonaro, que lamentavelmente não está aqui e não esteve presencialmente no evento”, declara.
Flávio Bolsonaro não comentou o caso envolvendo Daniel Vorcaro durante o discurso realizado no evento de pré-candidatura de Derrite e também não concedeu entrevista à imprensa.
Entenda o caso
O site jornalístico Intercept Brasil publicou, em 13 de maio, mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro por meio do aplicativo WhatsApp. As conversas teriam ocorrido em novembro de 2025.
Segundo a publicação, os diálogos apontam para uma relação entre o senador e o empresário, além de uma negociação envolvendo US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — destinados à produção do filme “Dark Horse”, baseado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os documentos divulgados também indicam que US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido pagos em fevereiro e maio de 2025 para despesas relacionadas à produção ligada à família Bolsonaro.
Na manhã de quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro negou, durante entrevista à imprensa, a existência de financiamento do filme por parte de Vorcaro. Horas depois, no entanto, o senador publicou vídeo nas redes sociais reconhecendo a relação com o empresário, mas afirmou que se tratava de um vínculo privado, o que gerou repercussão pela contradição entre as declarações.