Duplicação da Raposo Tavares deve ampliar capacidade logística da região

Segundo especialistas, melhoria reduz interferências provocadas pela antiga pista simples

Por Caroline Mendes

"Rodovia possui papel fundamental no escoamento da produção industrial regional, movimentação de insumos produtivos, abastecimento urbano e integração com outros corredores logísticos", diz o especialista em logística José Itamar Monteiro

A conclusão da duplicação da rodovia Raposo Tavares (SP-270) entre Vargem Grande Paulista e Sorocaba deve fortalecer a logística regional, reduzir gargalos históricos e ampliar a capacidade de circulação em um dos principais corredores entre o interior paulista e a capital. A avaliação é do professor e especialista em logística José Itamar Monteiro.

A obra foi oficialmente concluída neste primeiro semestre de 2026, com a entrega do trecho que liga Vargem Grande Paulista a Alumínio, já que as obras até Sorocaba já haviam sido finalizadas. Ao todo, foram executados 36 quilômetros de duplicação.

De acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), toda a duplicação já opera “de forma plena e integral”, incluindo os elevados implantados em Mairinque e Alumínio, que estão liberados nos dois sentidos da rodovia.

A concessionária informou que os dispositivos entregues recentemente incluem os acessos no km 54, em Mailasqui, no km 67+500, em Mairinque, e no km 75, em Alumínio. Segundo a empresa, os elevados funcionam sem restrições.

Mesmo com equipes atuando em alguns pontos da SP-270, Artesp e concessionária afirmam que os serviços restantes não fazem parte da duplicação entregue. As intervenções em andamento estão ligadas ao novo contrato da Motiva Sorocabana, como a implantação de uma balança de pesagem em movimento no km 71 e adequações viárias em antigos pontos de pedágio.

“Mais rápido e menos cansativo”

Quem utiliza o trecho diariamente já percebe mudanças no fluxo. O representante comercial Carlos Henrique de Souza faz o trajeto entre Sorocaba e São Roque quase todos os dias e afirma que o trânsito ficou mais fluido após a conclusão das novas pistas. “Antes tinha muito afunilamento e caminhão segurando o trânsito, principalmente perto de Mairinque e Alumínio. Agora a viagem ficou mais rápida e menos cansativa”, relata.

Segundo ele, os novos elevados também reduziram pontos de lentidão e cruzamentos considerados perigosos. “Melhorou bastante para quem pega a Raposo todo dia”, afirma.

Para o especialista em logística José Itamar, a duplicação representa uma intervenção estratégica para a Região Metropolitana de Sorocaba por ampliar a capacidade operacional da via e melhorar a fluidez do transporte de cargas. “A rodovia possui papel fundamental no escoamento da produção industrial regional, movimentação de insumos produtivos, abastecimento urbano e integração com outros corredores logísticos”, afirma.

Segundo o especialista, a melhoria reduz interferências provocadas pela antiga pista simples e aumenta a previsibilidade no tempo de viagem, fator considerado importante para operações industriais e centros de distribuição. “Há redução de custos logísticos, melhora da produtividade da frota e maior confiabilidade operacional”, diz.

O professor destaca ainda que os elevados implantados em Mairinque e Alumínio ajudam a separar o tráfego urbano do fluxo rodoviário de longa distância, reduzindo conflitos viários e aumentando a fluidez da SP-270.

Além dos impactos no transporte, a duplicação também pode ampliar a atratividade econômica da região. Segundo José Itamar, setores ligados à indústria, logística, agronegócio e distribuição tendem a ser diretamente beneficiados pela melhoria da infraestrutura rodoviária.

A Artesp informou ainda que os impactos da duplicação sobre acidentes e segurança viária começarão a ser avaliados nos próximos meses, a partir da consolidação dos dados operacionais após a entrega da obra.