Maio Amarelo reforça conscientização após alta de mortes no trânsito
Nas vias de Sorocaba, é comum motoristas avançarem o sinal vermelho, cruzarem mais de uma faixa de rolamento, realizarem conversões perigosas, fecharem outros veículos, deixarem de sinalizar mudanças de direção e reduzirem a velocidade apenas próximo a radares, entre outras infrações que podem provocar acidentes graves.
Com o objetivo de conscientizar motoristas e motociclistas, começou na cidade a Campanha Internacional Maio Amarelo, realizada pela Polícia Militar em conjunto com a Secretaria de Mobilidade (Semob), com apoio da Urbes Trânsito e Transportes, Detran-SP, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Rodoviária, Guarda Civil Municipal (GCM), BRT Sorocaba e CCR Sorocabana.
Atuação da PM no trânsito
A Polícia Militar acompanha ocorrências de trânsito na cidade e, segundo o tenente-coronel Rodrigo Pezato, comandante do 55º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), falta conscientização por parte dos condutores. Para ele, as fiscalizações têm como objetivo fazer com que a população compreenda a importância de respeitar as leis de trânsito.
De acordo com Pezato, os acidentes de trânsito também sobrecarregam outros serviços públicos. Segundo o comandante, esse tipo de ocorrência está entre as que mais demandam tempo das equipes policiais e, enquanto as viaturas atendem esses casos, o patrulhamento preventivo fica prejudicado. Ele afirma ainda que a fiscalização contribui para melhorias não apenas no trânsito, mas também na segurança e na saúde pública.
O tenente-coronel também destaca os impactos no sistema de saúde. Segundo ele, as emergências causadas por acidentes de trânsito aumentam a demanda nos hospitais, principalmente nos fins de semana. “A gente percebe que, se você infartar, se seu filho engasgar, se você correr para a emergência do hospital no final de semana à noite, você vai disputar médico com três, quatro acidentes de moto, geralmente motociclistas sendo atendidos. Então o prejuízo no atendimento de emergência do hospital é enorme, porque basicamente as emergências de final de semana à noite são decorrentes de trânsito. Outras emergências de saúde acabam entrando na fila”, afirma.
Além dos maus hábitos no trânsito, Pezato orienta que motoristas evitem tentar “educar” outros condutores durante situações de conflito. Segundo ele, discussões no trânsito podem provocar congestionamentos e aumentar o risco de acidentes envolvendo terceiros.
O comandante também afirma que o trânsito de Sorocaba é mais perigoso do que o da capital paulista. “Imprudência leva a um resultado. As pessoas não têm noção de que Sorocaba é mais perigosa do que andar em São Paulo, na capital. As pessoas não têm consciência de que Sorocaba é a cidade grande em que mais se morre no trânsito no estado. As pessoas precisam entender que têm que melhorar e a melhora não vai vir só com fiscalização, vai vir com conscientização também”, ressalta.
Estatísticas
Sorocaba é a sétima cidade do Estado de São Paulo com mais de 300 mil habitantes com a maior taxa de óbitos no trânsito: 12,92. Entre 2016 e 2023, a cidade registrou média anual de 80 a 90 mortes. Em 2024, houve aumento para 132 óbitos. Em 2025, o número caiu para 115, mas permaneceu acima da média dos anos anteriores.
Já em 2026, até março, foram registrados 24 óbitos, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga), do Detran-SP.
O levantamento também aponta as vias com maior número de acidentes. Entre abril de 2025 e março de 2026, a rodovia Raposo Tavares (SP-270) liderou o ranking, com 20 mortes registradas e 142 acidentes sem vítimas fatais.
Na sequência aparecem as avenidas Ipanema e Itavuvu, ambas na zona norte da cidade. As duas vias registraram sete acidentes com mortes no período. A avenida Ipanema contabilizou ainda 90 acidentes sem óbitos, enquanto a Itavuvu teve 73 ocorrências sem vítimas fatais.