Rede pública de saúde e hospitais conveniados são alvo de reclamações
Pacientes denunciam demora para exames e cirurgias, falhas no atendimento e falta de informação
Depois da rejeição da abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) na Câmara, pessoas que passaram ou precisam de atendimento médico na rede pública de saúde e hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) denunciam demora, falhas na comunicação e dificuldades no acesso a consultas, exames e cirurgias. O governo estadual anunciou um pacote de R$ 50 milhões para melhorias no CHS, conforme noticiado na quarta-feira (29).
Entre os relatos está o de Dórcas de Souza, de 59 anos, que passou por um procedimento para retirada de cálculo urinário em janeiro deste ano. Segundo ela, o médico responsável orientou que o cateter deveria ser removido em até três meses, o que não aconteceu.
A cirurgia foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em hospital conveniado ao município. “Eu tenho que trabalhar, fico 10 horas por dia em pé. Chega de tarde, estou acabada. Incha, parece que estou com uma infecção urinária constante”, relata.
No último dia 27, Dórcas completou três meses desde a cirurgia. Na terça-feira (28), foi chamada ao hospital para a realização de exames, nos quais foi diagnosticada com infecção urinária, o que levou ao adiamento da retirada do cateter. Nos exames, de acordo com a paciente, foram constatadas pieloureterite e ureterohidronefrose, condições que afetam o sistema urinário. A causa, segundo ela, estaria relacionada ao uso prolongado da sonda.
Prefeitura responde
Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que o prazo relatado está dentro do esperado. “Trata-se de um procedimento de litotripsia a laser, em que é inserido um cateter duplo J, com retirada programada em até quatro meses”, afirmou.
Relatos semelhantes aparecem em outros atendimentos. Uma paciente que não quis se identificar procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte com fortes dores abdominais e, após avaliação, foi internada e transferida para a Santa Casa.
Exames identificaram uma pedra no canal entre o rim e a bexiga. Segundo a paciente, foi informada de que o procedimento cirúrgico não seria realizado de imediato pelo SUS, sendo necessária a colocação de um cateter duplo J e posterior encaminhamento para a fila de cirurgia. Após receber alta, ela passou a ter febre constante, chegando a 39C, além de dores recorrentes.
“Fiquei indo e voltando à UPA com febre alta e dor. Depois, o urologista disse que meu caso era delicado e que talvez nem fosse indicado o cateter”, relatou. Após atendimento em unidade credenciada, novos exames foram solicitados, mas a paciente afirma que enfrentou demora na liberação da cirurgia. Segundo ela, foi informada que os procedimentos estariam suspensos por falta de liberação de verba municipal.
Diante da piora do quadro, a paciente buscou apoio do vereador Ízidio de Brito (PT), que formalizou pedido de informações à Secretaria de Saúde. Em ofício, o parlamentar apontou risco de infecção e cobrou esclarecimentos sobre a regulação do procedimento. Após as cobranças, a paciente foi contatada para os exames e agendamento da cirurgia.
O vereador afirmou que a situação é grave e escancara um colapso no atendimento. “É inadmissível que, mesmo com contratos vigentes e recursos empenhados, a população continue sem acesso ao atendimento no tempo necessário”, afirma.
Secretaria explica
A Secretaria da Saúde de Sorocaba respondeu que paciente está “na demanda para realizar o procedimento de Licolaser e, assim que houver a disponibilidade, ela será informada para o agendamento da cirurgia”.
Atropelada
Um terceiro caso envolve uma mulher que preferiu não se identificar, que também relatou problemas após ser atropelada por uma motocicleta ao atravessar na faixa de pedestres. Ela foi levada à UPA da Zona Norte e foi constatada uma fratura no osso acetábulo (na pelve).
Após dias aguardando transferência, ela foi para a Santa Casa. Familiares relataram dificuldades no atendimento e na autorização de acompanhante, apesar de a mulher apresentar quadro de depressão e ansiedade. “Quando o médico veio falar com a gente, foi com arrogância e ignorância”, afirmou a família.
Santa Casa responde
Em nota, a Santa Casa informou que a paciente deu entrada com histórico de atropelamento e passou por reavaliação médica. “Foi solicitado novo exame de raio-x, além de tomografia, para melhor diagnóstico.” A instituição também informou que não havia solicitação formal para acompanhante.
Após os exames, a paciente recebeu alta, apesar do diagnóstico da fratura, e será reavaliada em 10 dias. “Falaram para ela voltar para casa, mas não pode apoiar o pé no chão, não pode sentar e não pode fazer nenhum esforço”, disse a filha da paciente.