Marca sueca chega à região e reforça avanço de redes globais fora das capitais

Por Caroline Mendes

Nova loja reflete mudança de estratégia no varejo de moda, com expansão para cidades do interior

A inauguração da primeira unidade da H&M em Sorocaba, nesta semana, vai além da chegada de uma nova loja ao Shopping Iguatemi Esplanada. O movimento reforça uma tendência recente: o avanço de grandes redes internacionais para cidades médias do interior paulista, impulsionadas pelo potencial de consumo fora das capitais.

Com cerca de 2 mil metros quadrados, a operação na região é uma das primeiras fora das capitais após a estreia no Brasil, em 2025. Segundo o country manager da empresa, Joaquim Pereira, a escolha por Sorocaba está ligada ao porte da cidade e à força econômica regional. “A gente entende que é uma das cidades mais importantes do Estado para ter uma loja. Era um passo natural dentro da expansão”, afirmou durante visita guiada à unidade.

A aposta no interior acompanha uma mudança de estratégia no varejo de moda. Cidades como Sorocaba passaram a concentrar público consumidor suficiente para sustentar operações de grande porte — algo que, até poucos anos atrás, ficava restrito às capitais. Além da localização, a parceria com a administradora de shoppings também pesou na decisão. A Iguatemi S.A. vem se consolidando como porta de entrada de marcas internacionais no País, mirando um público fora dos grandes centros.

A nova loja deve gerar 62 empregos diretos, podendo chegar a cerca de 100 trabalhadores em períodos de maior movimento. Há ainda vagas indiretas ligadas a serviços como limpeza, segurança e logística. A empresa afirma apostar em um modelo de jornada com dois dias de descanso semanais e planejamento prévio de escala como forma de reduzir a rotatividade — um dos principais desafios do varejo no Brasil. “A dificuldade não é só contratar, mas manter as pessoas. Por isso, tentamos dar previsibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”, disse o executivo.

A chegada da rede intensifica a disputa com varejistas já consolidadas no País, como Renner, Riachuelo e C&A, que atuam há décadas no mercado brasileiro. Pereira reconhece o cenário competitivo e adota um discurso cauteloso. “O Brasil tem marcas fortes e estabelecidas. A gente acabou de chegar, então precisa entender o consumidor local”, afirmou.
Segundo

ele, a empresa tem recorrido a ferramentas de inteligência artificial para ajustar o volume de produtos ao perfil brasileiro, evitando excesso de estoque, um problema recorrente no setor. Um dos pontos destacados pela empresa é o compromisso com práticas mais sustentáveis, incluindo o uso de tecnologia para reduzir desperdícios e alinhar produção à demanda.

A operação em Sorocaba também evidencia mudanças no comportamento do consumidor. Segundo a empresa, há diferenças claras entre perfis de compra: enquanto o público feminino tende a consumir por tendência, o masculino costuma priorizar volume e reposição de peças básicas. A expectativa é de maior movimento nos fins de semana, quando se concentra o fluxo em centros de compras.

A chegada da marca à cidade simboliza o fortalecimento de Sorocaba como polo regional de consumo. Ao mesmo tempo, reacende discussões sobre os impactos desse tipo de operação no comércio local e nos padrões de consumo. Os efeitos mais duradouros, no entanto, devem aparecer com o tempo, tanto para consumidores quanto para o varejo da região.