Despesas em Sorocaba são altas e não sobram recursos para investimentos, diz secretário

Audiência sobre LDO 2027 na Câmara detalhou números da administração municipal

Por Cruzeiro do Sul

Marcelo Regalado, secretário da Fazenda de Sorocaba

O secretário da Fazenda de Sorocaba, Marcelo Regalado, apresentou os números da previsão orçamentária do município para 2027, que totaliza R$ 5,301 bilhões, sendo a maior parte advinda de transferências correntes (R$ 2,437 bilhões) e da arrecadação de impostos  (R$ 2.014 bilhões). Ele afirmou que as despesas correntes do município são muito altas e que não sobram recursos para investimentos. As informações foram repassadas na Câmara de Sorocaba, que iniciou ontem (29) uma série de audiências públicas para apresentação do projeto de lei do Executivo referente à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do município para 2027, que estima, para o próximo exercício, uma receita total de  R$ 5.301.482.000,00.

“O grande problema que vejo na prefeitura hoje é a questão de nossa despesa corrente, que está muito alta. Não deixa o município ter recursos para investimentos. Só conseguimos fazer investimento praticamente com operações de crédito”, explicou Regalado na audiência.

O Projeto de Lei nº 157/2026, de autoria do Executivo, que dispõe sobre a LDO, tem como atribuições elencar programas e ações de governo com prioridade na alocação de recursos, além de metas fiscais, regras para elaboração e execução do orçamento, prever riscos e medidas de controle, entre outras diretrizes a serem cumpridas no ano de 2027.

A primeira pasta a detalhar as informações foi a Secretaria da Fazenda. Regalado afirma que a Sefaz utilizou como metodologia o crescimento esperado do Produto Interno Bruto - PIB (estimado pelo Boletim Focus do Banco Central, de 30 de janeiro de 2026) para estipular as projeções dos anos de 2027 (1,80%), 2028 (2%) e 2029 (2%). Em relação às despesas, está previsto um total de R$ 5,348 bilhões, principalmente alocado entre despesas correntes (R$ 2,764 bilhões) e pessoal e encargos (R$ 2,090 bilhões).

Indicações para áreas

Regalado destacou a realização de consulta pública para auxiliar na indicação de áreas a serem priorizadas, que resultou na participação de 122 pessoas, que apresentaram 816 propostas. As principais áreas sugeridas foram gestão, controle e transparência pública; educação; atenção primária à saúde; serviços especializados em saúde e plano de ação climática, entre outras.

Sobre contratos com atrasos de pagamento ou renegociados, como os de serviços de lixo e transporte coletivo, o secretário sugeriu ao vereador Izídio de Brito (PT), um dos parlamentares presentes, que questionasse as pastas gestoras desses serviços. Em relação às dívidas do município, ele explicou que estão dentro do esperado, mas fez a observação sobre as altas despesas correntes da cidade e a falta de recursos para investimentos.

Divergências de números

Regalado detalhou também que o índice do PIB é utilizado apenas para a previsão de orçamento para 2027 e anos posteriores, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA — o índice oficial de inflação do Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE) é usado para reestimativa de anos anteriores. A reestimativa para 2026 chamou a atenção nas primeiras informações divulgadas pela Câmara, chegando a R$ 5,403 bilhões, valor superior ao que será gasto no próximo ano. (Da Redação)