Incêndios no centro de Sorocaba afetaram quase 10 mil acessos
Ocorrências registradas na rua Arthur Martins mobilizaram equipes de emergência e causaram interrupções em serviços
Dois incêndios registrados em menos de quatro meses em cabos instalados na rua Arthur Martins, na região central de Sorocaba, provocaram transtornos a moradores e empresas, afetaram serviços de telecomunicações, causaram impactos pontuais no fornecimento de energia elétrica e voltaram a chamar atenção para a concentração de fios em postes da cidade.
As ocorrências foram registradas nos dias 16 de dezembro de 2025 e 13 de março de 2026. Após os casos, a CPFL Piratininga informou que intensificou o diálogo com empresas de telecomunicações para adequação e organização da fiação no local.
O ponto onde os incêndios foram registrados fica em uma área central e movimentada de Sorocaba, nas proximidades do Edifício Pirâmide, região conhecida pela grande quantidade de cabos aéreos e estruturas de telecomunicações.
Questionada sobre os incidentes, a Anatel informou ao jornal Cruzeiro do Sul que recebeu registros oficiais de interrupções relacionadas aos dois episódios. No caso de 13 de março, a agência apontou cerca de 9.990 acessos afetados no município, o equivalente a aproximadamente 7,5% da base reportada. Os impactos envolveram serviços de telefonia fixa, banda larga fixa e TV por assinatura, com duração aproximada de quatro horas.
Já na ocorrência de 16 de dezembro de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações informou que cerca de 9.988 acessos foram impactados, com interrupção estimada em cerca de três horas e meia.
A Anatel informou ainda que em ambos os casos a normalização dos serviços ocorreu após substituição de cabeamento danificado.
Fiscalização e responsabilidades
Na nota enviada a redação, a agência reguladora esclareceu que não foi acionada para uma fiscalização específica no ponto onde os incêndios ocorreram. Conforme a agência, a ocupação física dos postes e a regularidade das instalações são atribuições primárias da distribuidora de energia elétrica, dentro das regras de compartilhamento da infraestrutura urbana.
Ainda segundo o órgão, empresas de telecomunicações podem ser responsabilizadas quando suas redes estiverem em desacordo com normas técnicas ou regulatórias, podendo sofrer notificações, exigência de regularização ou retirada de cabos.
As normas técnicas também preveem critérios de identificação, altura mínima, afastamento e manutenção das estruturas instaladas nos postes, com foco na segurança da população e na continuidade dos serviços.
Procurada pela reportagem, a operadora de telefone e internet Claro informou apenas que, “na região citada pela reportagem, a rede da Claro está funcionando normalmente”.
O que diz a CPFL
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) Piratininga informou que as duas ocorrências tiveram origem em cabos de telecomunicações e afetaram de forma pontual a rede elétrica.
Segundo a concessionária, houve pronto atendimento em ambos os casos e o fornecimento de energia foi rapidamente restabelecido aos clientes impactados.
A empresa acrescentou que, após os incêndios, equipes contratadas, em conjunto com operadoras de telecomunicações, realizaram a retirada de cabos inativos e irregulares no local, além de inspeções detalhadas na rede elétrica e de telecomunicações da região.
De acordo com a CPFL, grande parte das operadoras que atuam em Sorocaba concentra estruturas de recepção de sinal em um mesmo ponto da cidade, o que contribui para a alta densidade de cabos na área central.
Números da cidade
Nos últimos dois anos, segundo a CPFL, foram vistoriados 30.642 postes em Sorocaba, com emissão de 6.052 notificações a empresas de telecomunicações para adequação às normas vigentes.
Ainda conforme a distribuidora, ações de regularização atingiram 9.022 postes ao longo de 2025. Em 2026, até o momento, outros 485 postes passaram por reorganização.
A empresa orienta que, em casos de cabos rompidos ou caídos no chão, a população acione imediatamente os canais emergenciais, devido ao risco à integridade física e à segurança pública.
Ação do Executivo
A Prefeitura de Sorocaba informou que a fiscalização e o ordenamento dos fios em postes são de responsabilidade da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo).
No caso específico da rua Arthur Martins, a administração municipal afirmou que houve fiscalização no local e que a CPFL Piratininga foi notificada.
O Executivo também informou que, desde janeiro deste ano, mutirões de reordenação de fios em parceria com a concessionária já atenderam oito ruas e avenidas da cidade.
Segundo a prefeitura, o programa teve início em agosto de 2024 e será executado ao longo de cinco anos, com foco em segurança pública, redução de ocorrências e melhoria da eficiência energética.