Estado anuncia R$ 50 milhões para o CHS
Pacote prevê novos leitos, equipamentos inéditos e melhorias estruturais; tema também foi alvo de cobranças na Câmara
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES) anunciou um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 50 milhões para modernização do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), referência para 48 municípios da região. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27), durante visita do secretário estadual Eleuses Paiva à unidade.
Segundo a pasta, as intervenções serão realizadas por etapas para garantir o funcionamento do hospital. A previsão é de que parte das obras seja concluída ainda neste ano.
Entre os principais anúncios está a ampliação do pronto-socorro, que terá a capacidade de atendimento duplicada com a criação de 30 novos leitos. Também estão previstas reformas nas áreas de ortopedia, pediatria e no centro diagnóstico.
O CHS passará a contar com novos equipamentos, como tomógrafo, ultrassom, raio-X e a primeira ressonância magnética da unidade. Outro destaque é a implantação inédita de um PET-Scan na região, tecnologia voltada ao diagnóstico mais preciso de câncer.
O pacote inclui ainda a substituição gradual dos elevadores, intervenções para resolver infiltrações e melhorias no sistema de climatização. As entregas devem ocorrer ao longo de 2026.
De acordo com o Estado, este é o maior investimento já realizado no hospital, que também recebe recursos por meio de emendas parlamentares.
Cobranças na Câmara e CPI descartada
Os anúncios ocorrem em meio a questionamentos sobre a situação do CHS. Nesta terça-feira (28), o superintendente do Seconci-SP e diretor interino do hospital, Paulo Quintaes, esteve na Câmara de Sorocaba para prestar esclarecimentos aos vereadores, acompanhado do gerente de Relações Institucionais, Rodrigo Lisboa.
A presença foi motivada por denúncias sobre problemas no atendimento, que chegaram a embasar um pedido de abertura de CPI.
Durante a sessão, Quintaes apresentou dados de produção e afirmou que houve ampliação da capacidade de atendimento desde 2018, quando o Seconci assumiu a gestão. Segundo ele, o hospital atende cerca de 100 pacientes por dia no pronto-socorro e é responsável por 100% dos casos de trauma da região.
Dados de 2025 indicam que o CHS superou metas em diversas áreas, com 10,4 mil internações, 7,7 mil cirurgias e mais de 21 mil sessões de quimioterapia. O gestor também destacou aumento expressivo nos atendimentos em comparação com 2018.
Problemas e críticas
Apesar dos números, o superintendente reconheceu problemas estruturais, como elevadores antigos, infiltrações e falhas na climatização — pontos que, segundo ele, devem ser solucionados com o novo pacote de investimentos.
Vereadores, no entanto, fizeram críticas à gestão. Parlamentares apontaram falta de diálogo com pacientes e familiares, demora em exames — como casos de espera por ressonância — e relataram problemas como ausência de ar-condicionado e denúncias recorrentes na unidade.
Outros vereadores reconheceram avanços desde a entrada do Seconci, mas defenderam a necessidade de melhorias e maior transparência.
Ao final da sessão, o presidente da Câmara, Luis Santos (Republicanos), informou que a CPI não será instalada. Segundo ele, parecer jurídico apontou que a investigação poderia ferir o princípio federativo, já que o hospital é gerido pelo Estado.
Ele também destacou que já existem representações em andamento no Ministério Público, o que tornaria a comissão redundante. Documentos sobre o caso foram encaminhados ao órgão para apuração.
O cenário mantém o CHS no centro do debate público, agora com a expectativa de que os investimentos anunciados contribuam para reduzir as críticas e melhorar o atendimento na unidade.