Ministro da Saúde inaugura complexo na Santa Casa com aporte de R$30,8 milhões

Na solenidade, Alexandre Padilha se comprometeu com novo investimento na instituição

Por Vernihu Oswaldo

Nova ala, que tem todos os leitos individualizados, entrará em funcionamento nos próximos 15 dias

A saúde pública de Sorocaba e região registrou um avanço significativo com a visita oficial do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em solenidade realizada ontem (23), na Santa Casa de Misericórdia, o ministro inaugurou uma nova estrutura que inclui 50 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma ala dedicada a exames de endoscopia e colonoscopia, além da nova sede administrativa e a restauração de áreas históricas do prédio. Na oportunidade, Padilha se comprometeu a realizar novos investimentos na instituição, inclusive para o centro cirúrgico.

A nova ala entrará em funcionamento nos próximos 15 dias. Todos os leitos são individualizados, medida que ajuda a evitar a contaminação cruzada. Dez leitos são humanizados, ou seja, contam com espaço para acompanhante e televisão. A obra durou cerca de dois anos e custou aproximadamente R$ 7,5 milhões, valor viabilizado por meio de emendas parlamentares estaduais e federais.

No evento estiveram presentes, além do ministro e do gestor da Santa Casa, padre Flávio Jorge Miguel Júnior, o deputado federal Vitor Lippi (PSD), o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), além de vereadores e do secretário da Saúde, João Pedro Arruda Fraletti.

O hospital, além de Sorocaba, atende outros 48 municípios.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, falou dos investimento, segundo ele muito importantes. “Como um novo equipamento de ressonância nuclear magnética, novo serviço de endoscopia, novo serviço de nutrição, a reforma completa, espaço melhor para a UTI também da Santa Casa de Sorocaba, reconhecendo o papel da Santa Casa, que é um serviço não só de excelência, mas que tem uma capacidade de produção altíssima.”

A Santa Casa passa a contar com dois mamógrafos, uma ressonância nuclear magnética, um sistema de vídeo endoscopia rígida e dois ultrassons diagnósticos. Também foram adquiridos cinco kits de cirurgia oftalmológicos para a unidade.

O ministro Padilha também percorreu as novas instalações, acompanhado do padre Flávio e de vereadores, e se reuniu com médicos da Santa Casa.

A equipe médica que atuará na nova ala de UTI será coordenada pela médica Camille Pascoa, e as equipes de enfermagem, pelos coordenadores Stefani Machado e Edson Santos.

No total, em Sorocaba, foram investidos pelo governo federal R$ 50 milhões. Além da parte destinada à Santa Casa, os demais R$ 20 milhões serão aplicados em parceria com a prefeitura, com foco na atenção primária. Estão previstas a construção de três unidades básicas de saúde (UBSs), além da entrega de equipamentos que permitem a realização de exames laboratoriais nas próprias unidades. O valor inclui o Programa de Aceleração do Crescimento da Saúde (PAC) e emendas parlamentares.

Os investimentos federais na Santa Casa de Sorocaba somam R$ 30,8 milhões e contemplam tanto obras quanto a modernização de equipamentos. Na parte estrutural, foram aplicados R$ 3,65 milhões em melhorias como apoio logístico e lactário, adequações em setores de internação, reorganização da área de nutrição e reforma do pronto-socorro. Já na aquisição de equipamentos, o valor chega a R$ 13,3 milhões, incluindo sistemas de endoscopia e outros itens hospitalares, além da compra de mamógrafos, ressonância magnética e ultrassons.

Ministro aborda outros temas

Durante a visita, o ministro também abordou a importância da vacinação, destacando a ampliação da cobertura vacinal no País e a inclusão de novas vacinas no SUS, como a que protege contra a bronquiolite em gestantes. A imunização contra a gripe segue priorizando grupos de risco, como idosos, crianças e pessoas com comorbidades.

Questionado sobre investigações relacionadas ao uso de recursos do SUS em Sorocaba, o ministério afirmou que colabora com órgãos de controle, como a Polícia Federal, fornecendo informações sempre que solicitado. A pasta também reforçou a necessidade de ampliar os investimentos na saúde, aliada a mecanismos de fiscalização.

Em relação ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), que enfrenta questionamentos sobre estrutura e atendimento, o ministro afirmou que o governo federal acompanha a situação e se mantém à disposição para apoiar, dentro dos mecanismos de pactuação com Estados e municípios.

Gestão humanizada

O gestor da Santa Casa, Padre Flávio Jorge Miguel Júnior, classificou as entregas como uma conquista histórica para a região. Ele explicou que, embora o hospital já contasse com 50 leitos de UTI, a revitalização completa transforma o atendimento ao oferecer boxes individuais, garantindo privacidade e segurança sanitária. De acordo com ele, além da área assistencial, o projeto contemplou a recuperação do patrimônio histórico da Irmandade, com a reconstrução de um casarão centenário para a sede administrativa e a restauração da Capela Nossa Senhora dos Remédios, devolvendo à Sorocaba os traços arquitetônicos originais de sua fundação.

Atualmente operando com cerca de 280 leitos, a Santa Casa tem passado por um processo contínuo de modernização. Antes dessa etapa, a instituição já havia entregue a revitalização da fachada, a reforma dos leitos cirúrgicos na chamada ‘Enfermaria Um’ e a estruturação do Centro Regional de Oncologia Divina Misericórdia. Segundo o padre, “o objetivo é elevar o padrão de toda a unidade, que funciona como peça-chave na rede de saúde para pacientes de média e alta complexidade”.

Projetos Futuros

Para o restante deste ano, a Santa Casa já possui um cronograma de expansão definido. Estão previstas a criação de uma nova ala psiquiátrica, que o gestor projeta como um modelo para o Brasil, além de uma nova maternidade. O padre Flávio aproveitou a presença de Alexandre Padilha para formalizar o pedido de um novo aporte, entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões, visando a construção de um segundo centro cirúrgico. Esta nova estrutura, composta por três salas adicionais, tem como foco aumentar a rotatividade dos mutirões e reduzir o tempo de espera por cirurgias eletivas.

A execução dessas obras, no entanto, impõe desafios diários. O gestor descreveu a complexidade de reformar áreas críticas sem interromper os serviços essenciais. “A Santa Casa está trocando o pneu com o caminhão andando. É muito desafiador conciliar o barulho de furadeiras e a quebra de paredes com a logística hospitalar, mas temos conseguido avançar com a compreensão da equipe e dos pacientes”, afirma. Para ele, o esforço é recompensado pela entrega de uma medicina mais digna, aliando a tecnologia de ponta trazida pelos recursos federais à humanização do ambiente hospitalar. (Colaborou Thaís Verderamis)