Cesta básica on-line registra variação de 200% nos preços
Diferenças em itens como alho e batata contrastam com preços menores em supermercados e feiras
A praticidade das compras on-line tem conquistado consumidores em todo o País, mas um levantamento de comparativos divulgado no dia 15 de abril pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LCSA), da Universidade de Sorocaba (Uniso), mostra que essa comodidade pode vir acompanhada de preços mais altos e maior variação — mais de 200% — entre produtos da cesta básica em supermercados digitais.
A análise considerou itens como alho, sabonete, batata e tomate, que apresentaram diferenças significativas de preço. O destaque negativo foi o alho (200 g), com variação de 232,78%, sendo encontrado entre R$ 3,60 e R$ 11,98. Já o sabonete, item essencial nas cestas de higiene e limpeza, registrou variação de 138,76%.
Outros produtos também apresentaram oscilações relevantes, como a batata (119,80%) e o tomate (86,95%). Entre os canais analisados, as plataformas digitais concentraram as maiores diferenças de preço para um mesmo item.
Vantagens no presencial
Nos supermercados físicos, a variação de preços foi menor em comparação ao ambiente on-line. Promoções semanais e políticas de precificação mais padronizadas contribuem para maior estabilidade, embora ainda existam diferenças entre redes.
Outro fator que favorece esse modelo é a variedade de produtos disponíveis em um único local. A aposentada Rita de Cássia Casteluci, 62 anos, afirma que prioriza promoções. “Com a alta dos produtos básicos, como arroz, feijão e carne, a estratégia é buscar ofertas. Aproveito o melhor preço, mas sem abrir mão da qualidade”, diz.
Já Vania Cristina de Souza Reis, 55 anos, destaca a importância do custo-benefício. “Não adianta comprar feijão barato se a qualidade for inferior. Procuro equilibrar preço e qualidade”, explica.
Feiras livres
Nas feiras livres, além do preço, a qualidade dos alimentos é um fator decisivo. Segundo alguns consumidores entrevistados, os produtos costumam ser mais frescos, o que garante maior durabilidade e valor nutricional.
O agente de vigilância sanitária Marcos Antônio Barbosa Lima, 57 anos, afirma que prefere produtos de feira, mas nem sempre consegue manter o hábito. “Consumo muitas frutas e saladas, então gosto da feira. Mas, pela praticidade, acabo comprando no supermercado, onde encontro tudo em um só lugar”, relata.
Já o aposentado Edson Messias Pontes, 63 anos, opta pela feira livre. “É um ambiente acolhedor, com produtos frescos e preços que cabem no bolso”, afirma.
Sobre a alta nos preços, ele ressalta que não há alternativa. “São itens essenciais, não tem como deixar de comprar”, conclui.
Histórico
Em março, dos 34 itens que compõem a cesta básica sorocabana, 16 deles apresentaram alta no preço. Entre os itens que apontaram maiores altas estavam o ovo (40,57%), passando de R$ 8,43/12un em fevereiro para R$ 11,85/12un em março. Em seguida, a cebola, segundo item com maior alta de preço (27,99%), passou de R$ 4,18/kg em fevereiro para R$ 5,35/kg em março. Em terceiro lugar ficou a batata (23,54%), que passou de R$ 4,97/kg em fevereiro para R$ 6,14/kg em março.