Sorocaba registra 5 mortes por gripe e tem apenas 17% de cobertura vacinal
Cidade soma 38 casos de influenza em 2026; baixa adesão entre gestantes e crianças preocupa autoridades de saúde
Sorocaba já registra cinco mortes por influenza em 2026, em um cenário de baixa cobertura vacinal entre os grupos prioritários. Até o dia 16 de abril, apenas 17% do público-alvo foi imunizado — o equivalente a pouco mais de 40 mil doses aplicadas —, índice ainda distante da meta de 90% estabelecida pelas autoridades de saúde.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, o município contabiliza 38 casos confirmados da doença neste ano. A maioria é causada pelo vírus influenza A (33 registros), além de três casos de influenza B e dois ainda em investigação. Entre os óbitos, estão três mulheres — de 83, 79 e 20 anos —, um homem, de 51 anos, e um adolescente, de 13 anos, o que evidencia que a doença pode atingir diferentes faixas etárias, e não apenas idosos.
Apesar dos números, a supervisora da Central de Vacinas, Daniela Camargo, explica que a campanha ainda está em fase inicial, o que ajuda a contextualizar o percentual atual. “A gente tem uma meta de 90% de cobertura. Ainda está dentro do esperado, porque a vacinação começou no fim de março, mas é importante que a população se conscientize da importância da vacina”, afirma.
Segundo ela, os idosos são, até o momento, o grupo que mais tem procurado as unidades de saúde. Por outro lado, a adesão entre gestantes e crianças de 6 meses a menores de 6 anos segue abaixo do ideal, o que acende um alerta. “Esses grupos são mais vulneráveis. Sem a vacina, ficam mais expostos a complicações como pneumonia, internações e até óbito”, reforça.
O médico infectologista Marcos Vinicius destaca que a influenza não deve ser subestimada. “O vírus pode causar desde um quadro leve até insuficiência respiratória aguda e síndrome respiratória grave. Em alguns casos, pode comprometer outros órgãos e evoluir para morte”, explica. Entre as principais complicações estão pneumonia, infecções bacterianas secundárias e sepse.
Ele também alerta que, embora pessoas com doenças pré-existentes estejam entre as mais vulneráveis, indivíduos saudáveis não estão livres de risco. “Mesmo quem não tem comorbidades pode evoluir para formas graves da doença”, afirma.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a vacinação é a principal forma de prevenção. Além de reduzir o risco de infecção, a imunização diminui a circulação do vírus e a ocorrência de casos graves. “A vacina protege não só quem recebe a dose, mas também ajuda a reduzir a transmissão na comunidade”, pontua o infectologista.
Nas unidades de saúde, parte da população já aderiu à campanha e reconhece a importância da imunização. A cuidadora de idosos Lúcia de Fátima Costa afirma que se vacina todos os anos. “A gente tem que se prevenir. Mesmo que pegue gripe, ela vem mais fraca”, diz. Já a aposentada Alba de Lima resume o motivo que a leva ao posto: “É pra não pegar a gripe”.
Para ampliar a cobertura vacinal, a Prefeitura tem intensificado as estratégias, com ações em unidades básicas de saúde, vacinação em casas de repouso, hospitais e também em públicos vulneráveis, como pessoas em situação de rua e privadas de liberdade. Um novo “Dia D” de mobilização está previsto para o mês de maio, com o objetivo de facilitar o acesso da população.
Atualmente, a vacinação está disponível em todas as unidades básicas de saúde para os grupos prioritários, que incluem idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com comorbidades, profissionais da saúde e professores. A orientação é que os pacientes levem documentos e, no caso de comorbidades, comprovantes médicos.
Ainda não há previsão de liberação da vacina para o público em geral, já que o município segue as diretrizes do governo estadual e depende do envio de novas doses.
Enquanto isso, o alerta das autoridades é direto: aumentar a cobertura vacinal é fundamental para conter o avanço da influenza na cidade e evitar que novos casos graves e mortes sejam registrados nas próximas semanas.