Toyota mantém produção após vendaval e prevê reconstrução até 2027
A Toyota do Brasil mantém a fabricação de motores em uma estrutura provisória em Porto Feliz após o vendaval que atingiu sua unidade no município, em setembro de 2025. A retomada das atividades ocorreu em etapas: inicialmente, a montadora importou motores para abastecer a fábrica de veículos de Sorocaba — o que permitiu reiniciar a produção cerca de 40 dias após o incidente.
Em paralelo, os equipamentos da unidade atingida foram transferidos para um galpão industrial na mesma cidade, considerado apto para a operação. Desde janeiro deste ano, esse local concentra a produção de motores do modelo “Yaris Cross”, restabelecendo a fabricação no município, ainda que fora da estrutura original.
Termos da reconstrução
Embora a produção tenha sido normalizada, a reconstrução da fábrica original ainda está em fase de planejamento. O cronograma de obras está previsto para ocorrer ao longo de 2026 e 2027, contando com o apoio da matriz no Japão, de outras operações globais e de parceiros.
Até o momento, a Toyota não informou um prazo exato para a conclusão dos trabalhos, nem divulgou imagens da situação atual da unidade após o episódio. O foco do plano de recuperação permanece na continuidade das atividades e na segurança operacional.
Preservação de empregos
No campo social, a Toyota informou que não houve demissões em decorrência dos danos causados pela tempestade. Em alinhamento com os sindicatos, foram adotadas medidas como férias coletivas e a previsão de lay-off para preservar os postos de trabalho durante o período de interrupção.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, os trabalhadores da unidade de Sorocaba entraram em férias coletivas logo após o ocorrido. O lay-off chegou a ser negociado e aprovado como medida preventiva para garantir salários e benefícios, mas não precisou ser implementado devido à retomada da produção a partir de 3 de novembro. “O nosso foco, desde o início, foi garantir tranquilidade aos trabalhadores e preservar empregos e direitos. Construímos alternativas responsáveis para enfrentar esse momento sem prejuízos à categoria”, afirma o presidente da entidade, Leandro Soares.
Ainda conforme o sindicato, não houve realocação de funcionários para outras unidades ou funções, mantendo-se o vínculo com a planta de Sorocaba. Sobre a situação específica dos colaboradores da unidade de Porto Feliz, a responsabilidade cabe ao sindicato de Itu, que não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta edição.
Relembre o caso
A interrupção das atividades ocorreu na tarde de 22 de setembro de 2025. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que os ventos atingiram 95 km/h, provocando o destelhamento de grande parte da planta. Na época, imagens mostraram estruturas metálicas retorcidas e veículos danificados.
Não houve mortes, mas cerca de 30 funcionários sofreram ferimentos leves, receberam atendimento médico e foram liberados. O incidente impactou toda a cadeia produtiva da empresa e levou a Prefeitura de Porto Feliz a decretar estado de emergência devido aos estragos generalizados na cidade e na rede elétrica.