Monumentos espalhados por Sorocaba homenageiam personagens e momentos da cidade
Definir um monumento não é uma tarefa fácil. A descrição no dicionário indica diversas estruturas, mas uma coisa há em comum: perpetuar a memória, seja de uma pessoa ou de um acontecimento. O fato é que um monumento, quase sempre, é uma companhia, um mobiliário urbano que testemunha as transformações da sociedade.
Em Sorocaba são inúmeros os exemplos, desde os mais conhecidos, como o Mosteiro São Bento ou a estátua de Baltazar Fernandes, até os mais desconhecidos, muitas vezes guardados em locais particulares, como bustos de instituidores em hospitais e clubes da cidade. Há ainda esculturas em complexos empresariais.
Além desse acervo, Sorocaba também possui patrimônio oficialmente protegido com 47 bens tombados, todos são bens arquitetônicos, em sua maioria. Fora estes, destacam-se duas locomotivas: uma a vapor, que está na estação Paula Souza, e a número 10, que está no museu da estrada de ferro.
O professor de história Henrique Cavalcanti explica que, em seu ponto de vista, podemos apontar alguns monumentos como os “principais” da cidade, como o Mosteiro São Bento. “É uma das construções mais antigas da cidade, datada de 1660, criada a partir do núcleo de fundação da cidade por Baltazar Fernandes, que marca o início do processo de urbanização.”
Henrique ainda cita dois pontos ligados ao Brigadeiro Tobias: seu casarão, no bairro homônimo, e a Praça do Canhão, ligada ao movimento liberal liderado por Brigadeiro Tobias no período regencial e aponta a estação ferroviária como símbolo da “ligação com o processo de industrialização da cidade”, afima.
Histórias invisíveis
A história vai além de grandes feitos. Ela é feita de gente comum, gente que não ganha estátuas. Ou ganha, mas seu nome se perde pela história. E assim é Sorocaba: diariamente milhares de pessoas passam pelo mausoléu de Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro, e não percebem, ou não sabem, que estão diante de um dos historiadores mais importantes do país.
Mas não para Henrique. “Ele é literalmente o pai da história brasileira. É o primeiro grande estudioso brasileiro, teve contato com Pedro II, estudou na Europa e morreu na Áustria. É um nome fundamental para a história brasileira. E ele era de Sorocaba”, diz o historiador. “Varnhagen nasceu em 1816. Além de historiador, ele foi militar e realizou diversas missões diplomáticas em países da América do Sul, além de publicar diversos livros sobre a história do país. Ele é patrono da cadeira número 39 da Academia Brasileira de Letras”, complementa.
O monumento em sua homenagem fica no largo São Bento, próximo à estátua de Baltazar Fernandes. No local estão seus restos mortais e os de uma de suas filhas. “Seu corpo foi trazido da Áustria, local em que faleceu, para ser enterrado em Sorocaba, como era sua vontade”, informa Henrique.
Patrimônio zelado
Além da preservação das histórias, o cuidado — ou o descaso — com os monumentos também chama atenção. Em setembro de 2025, o jornal Cruzeiro do Sul publicou uma reportagem mostrando que diversos monumentos estavam vandalizados. Entre os casos citados estava a espada da estátua de Baltazar Fernandes, que havia sido roubada e posteriormente reposta com um simulacro feito de madeira.
Outro exemplo é a estátua do Doutor Braguinha, na praça Coronel Fernando Prestes, que estava sem a placa de identificação. Situação que se mantém. A estátua de Monsenhor João Soares também teve sua placa de identificação subtraída.
Em outro ponto da cidade, na praça da Maçonaria, a reportagem de setembro indicava que a maioria dos monumentos estava sem identificação. Problema que foi resolvido e, atualmente, todos os homenageados possuem suas placas no local correto, inclusive a de Duque de Caxias, uma das figuras militares e políticas mais importantes da história do Brasil.
O presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, Adilson Cesar, fez uma lista com alguns monumentos que precisam ser restaurados, entre os locais, aparecem o pelourinho, a estação de bondes de Sorocaba, a Catedral, o Mercado Municipal, a estação ferroviária de Sorocaba, o Palacete Scarpa, entre outros.
A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), informa que manutenções são realizadas conforme as demandas e necessidades de reparo. A Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo), por sua vez, executa limpeza e manutenção de praças e monumentos, regularmente, também conforme a necessidade.
Sobre a espada da estátua de Baltazar Fernandes, a Secult informou que não pretende repor. Ainda de acordo com a pasta, as placas de bronze dos monumentos foram retiradas e guardadas, e a substituição está sendo feita de forma gradual com placas de acrílico.
A prefeitura informou ainda que a Secult pretende iniciar, no segundo semestre deste ano, um projeto que consiste no lançamento de informativos com conteúdo sobre patrimônio material/imaterial, tombamento, monumentos, pontos da cidade que podem ser visitados, assim como visitas guiadas nos próprios culturais.
É preciso relembrar
As pessoas passam pelas estátuas e monumentos e muitas vezes nem reparam. Vez ou outra alguém comenta, sobre a necessidade de reparação, ou algum detalhe do local.
Uma pessoa que passava próxima à estátua do Doutor Braguinha, afirmou não conhecer, nem quem era o homenageado, nem sua história. O advogado Joaquim Marques Ferreira Braga, eternizado em bronze e também no nome da rua próxima, ainda não tem sua história tão bem cuidada.
Em outro ponto da cidade, pessoas entram e saem diariamente do Palacete Scarpa, sem conhecer a história da proeminente família.
Na praça Jardim do Tropeiro, diversas pessoas afirmam não saber quem é o misterioso cavaleiro, da estátua que adorna o local. De certa maneira eles estão certos, o monumento é uma homenagem aos tropeiros, todos, não um nome específico.
O mesmo acontece com diversos outros monumentos em pé fisicamente, mas com histórias cada vez menos lembradas.