Procura por peixes movimenta Mercado Municipal de Sorocaba na véspera da Sexta-Feira Santa
Tradição religiosa impulsiona vendas, lota corredores e reforça costumes mantidos por gerações
Na véspera da Sexta-Feira Santa, ontem (2), o Mercado Municipal de Sorocaba amanheceu com corredores cheios, filas nas peixarias e consumidores atentos às bancas repletas de pescados. A cena, que se repete ano após ano, evidencia não apenas o aumento na procura, mas a força de uma tradição que atravessa gerações.
Desde as primeiras horas do dia, o movimento já era intenso. Entre sacolas, pedidos e escolhas rápidas, muitos consumidores deixaram para garantir o peixe na última hora, impulsionando ainda mais o fluxo no local.
Tradição
Para a faxineira Marta Campos, a compra do peixe está diretamente ligada à tradição familiar. O hábito, segundo ela, nunca deixou de ser seguido. “A gente sempre teve essa tradição em casa, de guardar a Sexta-Feira Santa”, conta.
Mesmo com a correria, ela fez questão de garantir o alimento para a data, ainda que de forma emergencial, após uma encomenda não chegar a tempo.
Além do simbolismo, o preço também chamou a atenção neste ano. “Eu achei bem caro, bem carinho. A tilápia mesmo está R$ 70,00. Nessa época sobe mais ainda”, afirma.
Sem pesquisa
Se para alguns há planejamento, para outros a decisão é mais imediata. O aposentado Claudio Rodrigues foi direto ao mercado para comprar o necessário para a refeição da Sexta-Feira Santa, sem pesquisar preços ou comparar valores. “Vim direto aqui mesmo, nem procurei em outro lugar”, diz.
Com meio quilo de tilápia em mãos, ele resume a motivação que move milhares de consumidores nesta época do ano. “A tradição é não comer carne. Então a gente tem que comer um peixinho”, afirma.
Pico de vendas
Do lado dos comerciantes, o período é um dos mais aguardados do ano. Segundo o proprietário da peixaria, Rafael Gomes da Silva, o aumento nas vendas começa ainda no início da Quaresma, mas ganha força nos dias que antecedem a Sexta-Feira Santa. “Como todo ano, a Quaresma inteira já tem aumento nas vendas, desde a Quarta-feira de Cinzas. Mas o principal é a Semana Santa”, explica.
De acordo com ele, o pico acontece justamente na véspera e no próprio feriado santo. “A quinta e a sexta-feira são os dois dias de maior movimento”, afirma.
Praticidade
O bacalhau, que é sempre o mais desejado do período, segue como um dos produtos mais procurados. No entanto, opções mais acessíveis e práticas também ganham espaço entre os consumidores. “Vende muito bacalhau, que é bem tradicional. Mas o filé de tilápia também sai bastante, por ser sem espinho. E peixes mais populares, como sardinha e cavalinha, vendem muito também”, destaca o comerciante.
A diversidade atende tanto quem busca manter a tradição quanto quem procura alternativas mais econômicas.
Alta pontual
Apesar da alta demanda, os preços não sofreram grandes reajustes ao longo do ano, segundo os comerciantes. Ainda assim, nos dias mais próximos da data, houve aumento em alguns produtos. “Não teve reajuste durante o ano, o que ajudou nas vendas. Só nesse último dia que alguns fornecedores aumentaram entre 5% e 10% em produtos como a merluza e o cação”, explica Rafael.
Ele afirma que a movimentação no Mercado Municipal deve permanecer intensa hoje (03), principalmente no período da manhã, quando muitos consumidores ainda deixam para garantir o peixe de última hora.
Impulsionada por uma tradição religiosa mantida ao longo dos anos, a procura por pescados segue concentrando famílias que mantêm o costume de substituir a carne vermelha durante a data.
Entre diferentes perfis de consumidores, o cenário se repete: seja por fé, hábito ou praticidade, o peixe continua sendo o principal item das mesas na Sexta-Feira Santa.