Feira da Vila Hortência transforma domingo em ponto de encontro de famílias

Mais do que compras, espaço na rua Tereza Lopes reúne tradição, alimentação fresca e sustento de dezenas de feirantes

Por Caroline Mendes

Feira Livre da Vila Hortência é uma das mais tradicionais e agitadas da cidade de Sorocaba

Logo nas primeiras horas da manhã de domingo, as barracas coloridas já ocupam a Rua Tereza Lopes, próxima ao Ginásio de Esportes, na Vila Hortência. Entre caixas de frutas, legumes recém-colhidos e o cheiro de pastel frito, a feira livre do bairro deixou de ser apenas um espaço de compras para virar um programa fixo para muitas famílias e principal fonte de renda de quem trabalha ali.

“Vou levar um maço de brócolis, agora que está começando”, diz uma moradora enquanto escolhe os produtos. A cena se repete a cada banca __ clientes perguntam preços, pedem sugestões de preparo e aproveitam para colocar a conversa em dia.

Há oito anos trabalhando no local, o feirante Mário Cataoca conta que veio de São Paulo em busca de oportunidade. “Eu vim de fora. Lá eu trabalhava em feira também, mas aqui é bem melhor”, resume. Hoje, segundo ele, a renda da família depende exclusivamente das vendas realizadas ali. “É tudo da feira”, afirma.

História parecida tem Benedito do Nascimento, que está na Vila Hortência há dois anos. Antes, atuava em feiras na capital paulista. “É boa”, define sobre o movimento aos domingos. Parte dos produtos vem da própria horta familiar, o que garante variedade e reforça o caráter mais próximo entre produtor e consumidor. “A gente vai produzindo um pouco, vendendo as coisas, e assim vai indo”, explica.

Para Cleiton Magalhães, que trabalha com feira desde o ano 2000, a Vila Hortência é estratégica. “Aqui foi o último ponto que eu consegui. Faz uns cinco anos mais ou menos. E é uma das melhores feiras da semana. É o ponto que fecha a semana, é o dia que realmente traz o ganha-pão para casa”, afirma. Segundo ele, o domingo concentra o maior movimento e garante o sustento da família. “Hoje eu não me vejo fazendo outra coisa. Eu gosto de trabalhar na feira.”

Programa de domingo

Entre os corredores improvisados, é possível ver casais com carrinhos de feira, avós acompanhados dos netos e pais ensinando as crianças a escolher frutas. Para muitos, a ida à feira já virou tradição familiar.

A auxiliar administrativa Juliana Ramos, que mora no bairro há mais de dez anos, conta que o passeio faz parte da rotina. “A gente vem quase todo domingo. Não é só para comprar, é para passear mesmo. A gente encontra vizinho, toma um caldo de cana, as crianças escolhem a fruta da semana”, relata.

O aposentado Carlos Menezes também mantém o hábito. “Prefiro comprar aqui do que em mercado. É mais fresco e a gente conhece quem está vendendo. Isso faz diferença”, diz. Segundo ele, a feira é um dos poucos espaços do bairro onde ainda é possível conversar com calma e manter vínculos. “Você cria amizade.”

Alimentação e economia local

Além do aspecto social, a feira contribui para o acesso a alimentos frescos e, muitas vezes, mais acessíveis. Produtos vindos de hortas familiares e pequenos produtores circulam diretamente entre quem planta e quem consome.

Para os feirantes, esse contato direto fortalece a clientela fiel. Para os moradores, representa confiança na procedência dos alimentos. “Você sabe de onde vem”, resume Juliana.

Ao fim da manhã, com sacolas cheias e barracas começando a esvaziar, fica claro que a feira da Vila Hortência vai além do comércio. É espaço de sustento, mas também de encontro. Um ritual semanal que mistura tradição, conversa, cheiro de fruta madura e o movimento típico de domingo, daqueles que ainda preservam o tempo de caminhar sem pressa pelo próprio bairro.