Coelho e seus significados de pet, mitologia e alimento

Por Thaís Verderamis

No hemisfério norte, a Páscoa marca o início da primavera, e o coelho e os ovos são símbolos de fertilidade, renascimento e abundância

De onde surgiu o Coelhinho da Páscoa? Coelhos não botam ovos, muito menos de chocolate. A Páscoa está se aproximando e muitas famílias contam para as crianças que o “Coelhinho” passará deixando ovos de chocolate classicamente embrulhados em papéis coloridos, alguns com brinquedos dentro, dentre muitas variações tão cobiçadas e esperadas pelos pequenos. Algumas têm até tradições como a caça aos ovos. A cultura em torno do coelho atravessa fronteiras e costumes, e em alguns lugares é comum a criação e até o consumo da carne do animal, por exemplo.

No hemisfério norte, a Páscoa marca o início da primavera, e o coelho e os ovos são utilizados como símbolos de fertilidade, renascimento e abundância. O simbolismo do coelho surgiu na Alemanha no século 17, como explica o professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi, Henrique Cavalcanti de Albuquerque.

Segundo o professor, os coelhos e os ovos foram levados por imigrantes alemães aos Estados Unidos, e então foram associados ao chocolate e utilizados como propragandas de grandes indústrias no segmento, virando febre e mantendo o costume de presentear com chocolates até os dias de hoje.

No entanto, fora da fantasia, os coelhos são animais que precisam de cuidados e atenção não apenas nesta época, mas por muitos anos. Algumas empresas do ramo animal e de cuidados com pets até passaram a suspender a venda de coelhos na Páscoa devido ao grande número de devoluções e abandono dos animais após a data.

“Não é brinquedo”

Segundo a Cobasi, “a loja suspende a venda de coelhos durante o período que antecede e envolve a Páscoa como parte da campanha [Coelho Não É Brinquedo]”, explica. A campanha é uma ação que suspende a venda nas lojas nas datas próximas à Páscoa, para desencorajar a compra impulsiva dos animais como presentes e conscientizar sobre os cuidados que os coelhos precisam. Em 2026, a loja não está vendendo os animais desde o dia 23 de março, em uma determinação que vai até o dia 6 de abril.

A campanha “Coelho não é Brinquedo” já está no nono ano. Segundo a empresa, era perceptível um aumento de vendas nesta época do ano e pela impulsividade, muitos animais eram devolvidos ou abandonados.

A Petz, uma loja do mesmo segmento também segue a mesma linha. “Informamos que não realizamos a venda de coelhos neste determinado período do ano, Pois há um aumento significativo na procura para presentear. Essa medida é adotada com o objetivo de prevenir possíveis casos de abandono e reforçar nosso compromisso com o bem-estar dos pets”, informa.

Já na AgroPet Bicho & Cia, ainda há coelhos a venda, mas segundo os donos, a venda é feita com responsabilidade, para clientes de confiança e é recusada em casos em que há sinais de maus-tratos. “Nós recusamos uma venda uma vez, porque a mulher queria comprar o coelho para a filha, que era muito pequena e poderia maltratar o bichinho”, conta a dona da loja.

Responsabilidade

Um pet é um ser vivo que precisa de cuidados, atenção e responsabilidade. Segundo o professor de clínica médica de animais selvagens e animais pets não convencionais da Universidade de Sorocaba (Uniso), Rodrigo Teixeira, antes de optar por ter qualquer animal de estimação é indicado entender a rotina e o funcionamento da família interessada, para verificar o animal que melhor se adapta.

Já com o animal, o especialista indica o check-up anual. “Eu sugiro a medicina veterinária preventiva em todos os animais pets não convencionais e domésticos. Além do cuidado básico alimentação, o manejo e a higiene”, explica.

O veterinário também afirma que é bom se organizar financeiramente, um animal gera custos, com alimentação, higiêne e saúde, o que se torna outro ponto a ser levado em conta antes de adquirir ou adotar qualquer espécie de animal.

Carne de coelho

Para alguns restaurantes, supermercados, butiques de carnes e distribuidores, a carne de coelho é uma iguaria. Apesar de pouco consumida no Brasil, a carne do coelho apresenta algumas diferenças das carnes comuns bovinas, avícolas e suínas.

A Coelho Real, o único frigorífico de coelhos do Brasil, está localizado em Mairinque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Segundo a empresa, apesar de não ser muito comum no Brasil, é vendido tudo o que produzem e a carne apresenta diversas propriedades benéficas.

“Apesar do consumo ainda ser pequeno, esse consumo é sempre crescente, principalmente devido as ótimas qualidades da carne. Tem alta proteína e baixíssima gordura e colesterol, além de ser rica em vitaminas B3, B6, B12, potássio, fósforo, cálcio, ferro, ácidos graxos poli-insaturados. Portanto, favorecem o sistema imunológico e tem alto valor biológico, é de fácil preparo e de fácil digestibilidade, muito indicada para pessoas que tem problemas digestivos, azia e má digestão, osteoporose, problemas cardiovasculares, obesos, idosos, crianças e todos aqueles que buscam uma dieta saudável. Além disso é uma proteína que tem pouca rejeição, indicada também para pessoas com alergias”, explica.

Além dos benefícios, o frigorífico cita a praticidade no manejo. “Precisa de muito pouco espaço, consegue-se uma alta produção de proteína saudável e de qualidade em poucos metros quadrados e tanto na criação, quanto no abate, tudo é aproveitado, praticamente não gerando lixo, o que torna uma carne muito sustentável”, explica.