Sorocaba vive alta nos aluguéis e vendas caem
Dados do Creci-SP indicam tendência devido a juros altos e a chegada de novos moradores
Sorocaba se consolida como uma das maiores e mais dinâmicas cidades do interior paulista — características que impactam diretamente o mercado imobiliário local. Esse cenário urbano amplo e diversificado ajuda a explicar as recentes mudanças no comportamento de quem busca moradia na cidade, seja para compra ou aluguel.
Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) apontam que, em janeiro de 2026, as vendas de imóveis usados em Sorocaba e região caíram 44% em relação aos últimos meses de 2025 — tendência de retração observada em outubro, novembro e dezembro. Em contrapartida, o mercado de locações apresentou crescimento de 11,34% no mesmo período, indicando uma migração do interesse dos consumidores para o aluguel.
Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, o cenário é reflexo direto das altas taxas de juros e da insegurança econômica, que dificultam o acesso ao crédito imobiliário. Atualmente, cerca de 66,7% das compras dependem de financiamento, o que torna o fechamento de negócios mais sensível às condições do mercado. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, o setor mantém saldo positivo de 2,67% nas vendas e expressivos 156,14% nas locações.
Outro fator relevante para esse movimento é o crescimento econômico de Sorocaba, principal cidade da região, que atrai novos trabalhadores e amplia a demanda por moradia. Com a chegada de novos moradores — muitos vezes ainda em fase de adaptação — o aluguel se torna a escolha inicial. Esse comportamento é potencializado pela própria dimensão urbana do município, que exige tempo para que novos moradores definam as regiões mais adequadas ao seu perfil.
“O aumento de empregos formais desloca uma grande quantidade de pessoas para a cidade, e elas não vão comprar um imóvel tão cedo. Elas irão alugar e entender onde estão primeiro, onde ficam os locais que precisam e que preferem, antes de decidir um lugar fixo”, explica Viana Neto.
Com o aumento da procura e a limitação de imóveis dentro de determinadas faixas de preço, os valores de aluguel tendem a subir, pressionando o mercado. Esse fenômeno também estimula uma circulação maior de inquilinos entre diferentes imóveis, criando um efeito em cadeia que mantém o setor aquecido.
“A cada 30 meses ou ainda no aniversário de 1 ano, os contratos de locações são reajustados. Quando vence, o locatário fica livre para aumentar os valores”, afirma o presidente do Creci. Em Sorocaba e região, esse movimento é acompanhado por uma estrutura robusta, com cerca de 10.350 corretores e 1.470 imobiliárias.
No segmento de locações, o depósito caução lidera como principal garantia, presente em 51,9% dos contratos, seguido pelo seguro-fiança, com 29,6%. Apesar disso, o custo elevado do seguro ainda limita sua expansão, enquanto alternativas como títulos de capitalização começam a ganhar espaço.
De acordo com Viana Neto, a figura do fiador está em extinção.
Diante desse cenário, o mercado imobiliário sorocabano segue em transformação, com o aluguel assumindo papel de destaque em uma cidade que cresce e atrai novos moradores.