Relatório aponta que qualidade da água do rio Sorocaba segue sem melhora
Ausência de tratamento de esgoto e expansão urbana impedem a recuperação do manancial, aponta levantamento
Maria Clara Campos - Programa de Estágio
Um relatório pela Fundação SOS Mata Atlântica aponta que a qualidade da água dos rios da Mata Atlântica segue sem melhora. O documento, divulgado no domingo (22), aponta que na região de Sorocaba o cenário é de estagnação, incluindo o rio Sorocaba.
Os dados foram coletados entre janeiro e dezembro de 2025 em rios de várias cidades. Segundo o levantamento, quase 80% dos pontos analisados apresentam qualidade regular, o que indica presença de poluição e necessidade de tratamento da água.
O estudo utiliza um índice que classifica a água em cinco níveis: ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. A classificação regular já indica risco, com limitações para uso e possíveis impactos à saúde.
Ao todo, foram feitas mais de mil análises em rios e corpos d’água de diferentes estados. Apenas uma pequena parte dos pontos apresentou água considerada boa. Nenhum local atingiu nível ótimo.
Na região, o rio Sorocaba segue com qualidade classificada como estável. No entanto, essa estabilidade é considerada negativa, pois mostra que não houve avanço na despoluição.
De acordo com o relatório, o principal problema é a falta de coleta e tratamento de esgoto, que ainda é lançado diretamente nos rios. Outros fatores também contribuem, como crescimento urbano, atividades agrícolas e retirada de vegetação das margens.
Eventos climáticos, como falta de chuva ou temporais, também agravam o problema, pois alteram o volume dos rios e a concentração de poluentes.
O relatório ainda destaca que milhões de pessoas no país vivem sem acesso a saneamento básico, o que dificulta a melhora da qualidade da água.
A meta nacional é ampliar o acesso ao saneamento até 2033, mas o estudo indica que o avanço ainda é lento.
O coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronesi, informou que a principal causa para a falta de melhora é o esgoto sem tratamento, além de fatores como crescimento urbano, uso do solo e eventos climáticos.
Segundo ele, “a situação impacta diretamente a população, com aumento do risco de doenças, restrições de uso da água e maior dificuldade no abastecimento”, informa.
Gustavo também declara que “existem ações para reverter o quadro, como ampliação da coleta e tratamento de esgoto e programas de monitoramento, mas destacou que é necessário ampliar essas medidas”, recomenda.
De acordo com ele, as principais fontes de poluição são o esgoto doméstico, atividades industriais e agropecuárias, além do desmatamento.
Ele também alertou que a piora da qualidade da água pode aumentar o custo do tratamento e afetar o abastecimento, exigindo mais estrutura.
Por fim, informou que a participação da população é importante, com ações como evitar descarte irregular de lixo e cobrar melhorias no saneamento.