Família de ex-vereador pede reintegração de posse de casa invadida

Imóvel da Vila Hortência está sem ligações de energia e água, mas grupo ainda permanece no local

Por Da Redação

Na manhã de terça-feira (24), o fornecimento de água do local foi cortado, com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM)

Familiares do imóvel invadido por um grupo em Sorocaba afirmam que podem provar que a casa estava em situação regular e não estava abandonada, por meio de uma série de documentações que prometem apresentar em breve. Um pedido de reintegração de posse está em curso por meio de uma advogada da família. A casa, localizada no número 905 da avenida Nogueira Padilha, na Vila Hortência, está ocupada. Na manhã de terça-feira (24), o fornecimento de água do local foi cortado, com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM).

Após o pedido de reintegração de posse ter sido encaminhado para decisão judicial no dia 16, abriu-se prazo de 15 dias para manifestação, com contagem iniciada em 20 de março e término previsto para 13 de abril. As etapas seguintes incluíram a formalização dos atos no Diário da Justiça Eletrônico. Já em 24 de março, foi registrada a confirmação do pagamento de guia, indicando o cumprimento de uma das exigências processuais. Com isso, o processo segue em tramitação regular, aguardando os próximos desdobramentos dentro do prazo estabelecido pela Justiça.

O Saae/Sorocaba informou, por meio de nota, que “enviou equipe ao local, na terça-feira (24), para verificação da forma de abastecimento, considerando que, no sistema comercial, a ligação encontrava-se inativa. Houve a supressão do ramal, justamente por se tratar de ligação inativa e não haver hidrômetro desde 2021. A ação tratou-se de procedimento rotineiro da autarquia, cujas equipes operacionais realizam verificações em ligações, inclusive aquelas inativas e que apresentem indícios de utilização, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades. Na ocasião, a GCM deu apoio à equipe do Saae/Sorocaba, como forma de garantir o cumprimento da medida, a manutenção da segurança e a garantia da paz social no local”. Desde o dia 18 de março, a casa também está sem energia elétrica, depois que a CPFL Piratininga desfez um “gato” (ligação clandestina de energia elétrica).

Propriedade particular

A casa pertence aos familiares do ex-presidente da Câmara de Vereadores de Sorocaba, Cláudio Gâmbaro, já falecido. Quem está responsável agora pelos assuntos da casa é o filho dele, o empresário Cláudio Cristiano Moraes Gâmbaro, de 62 anos. “Vamos provar que isso de invadir uma casa cheia de problemas é uma mentira”, afirma. Ele detalhou algumas provas de manutenção da residência, como documentações de vistoria da Zoonoses comprovando que não havia focos de dengue. “Nenhuma multa desde 2018, numa casa que não estava abandonada!”, diz.

A defesa é feita pela advogada Adriana Dini, que mostrou um vídeo feito pela filha do empresário, no dia em que ocuparam a residência, pedindo permissão para entrar na casa em que foi criada, para que os ocupantes não danificassem os móveis e objetos da família que estavam no local. A advogada afirma que os ocupantes “estão descartando memórias afetivas da família no lixo” e que a ocupação estaria promovendo festas de forró com venda de “copão” — bebida alcoólica misturada com energético ou suco. Segundo Gâmbaro, havia planos de transformar o lugar em uma escola de inglês.

Pedidos de cassação

A Câmara de Sorocaba analisa pedidos de cassação das vereadoras Fernanda Garcia (PSOL) e Iara Bernardi (PT). Elas são acusadas de dar apoio à invasão da casa. Os requerimentos foram apresentados pelos vereadores Vinicius Aith (Republicanos) e Tatiane Costa (PL), além de um munícipe. Segundo a assessoria da Casa Legislativa, as vereadoras têm prazo de duas semanas para apresentar suas defesas. A representação é por quebra de decoro parlamentar, que pode resultar, ao final, em sanções que vão desde advertência até cassação do mandato, dependendo da conclusão da investigação.