Capela João de Camargo segue em reforma

Espaço histórico de Sorocaba funciona parcialmente após obras emergenciais e depende de recursos públicos

Por João Frizo

Antiguidade da construção, iniciada no início do século XX, exige manutenção contínua, além de cuidados específicos em razão das transformações urbanas ao longo dos anos

A Capela Senhor do Bom Fim, conhecida como Capela João de Camargo, na avenida Barão de Tatuí, na zona sul de Sorocaba, foi reaberta à visitação após ser atingida pela enchente do córrego da Água Vermelha, em janeiro de 2024. Apesar da retomada das atividades, a restauração do espaço ainda não foi concluída e depende da liberação de recursos públicos, que seguem sem previsão de término.

De acordo com o presidente da Associação Espírita e Beneficente Senhor do Bom Fim, Adriano Molina, responsável pela manutenção do local, a capela encontra-se atualmente “funcional e aberta à visitação”, após a realização de obras emergenciais que permitiram a recuperação dos principais ambientes e garantiram condições mínimas de segurança ao público.

No entanto, a recuperação ainda não foi finalizada. Entre as principais pendências está a manutenção do telhado, considerada essencial para conter infiltrações e evitar novos danos à estrutura do imóvel. Também seguem em andamento intervenções internas, como a limpeza e reorganização do quarto de João de Camargo, espaço de relevância histórica e simbólica.

Dependência de recursos

Segundo a Associação, as obras realizadas até o momento foram viabilizadas exclusivamente por meio de doações de fiéis, colaboradores e apoiadores. A continuidade da recuperação, porém, depende da liberação de emendas parlamentares destinadas à entidade.

A Prefeitura de Sorocaba informou que os recursos ainda não foram repassados. De acordo com a Secretaria de Cultura (Secult), as emendas estão em fase de análise técnica e documental, conforme os procedimentos exigidos pela legislação para a formalização de parcerias com organizações da sociedade civil.

Ainda segundo a Prefeitura, foram identificadas pendências na documentação apresentada pela Associação, o que impede, neste momento, o avanço do processo e a liberação dos valores. A administração municipal afirma que mantém diálogo com a entidade e que o repasse depende do cumprimento das exigências legais.

O processo de recuperação da capela é acompanhado pela Comissão de Trabalho e Monitoramento (CTM) Viva Nhô João de Camargo, que atua no controle social das intervenções e na defesa da preservação do patrimônio. Segundo a comissão, a responsabilidade pela manutenção do espaço é da Associação, enquanto a preservação do patrimônio depende do envolvimento coletivo e da fiscalização contínua.