Chefe da fiscalização do trabalho em Sorocaba deixa cargo após seis anos
Dispensa foi oficializada no Diário Oficial da União; Ubiratan Vieira afirma que saída ocorreu por questões de saúde e indica sucessores
O chefe da fiscalização do trabalho em Sorocaba, José Urubatan Carvalho Vieira, conhecido como Ubiratan Vieira, foi dispensado da função após solicitar sua saída do cargo. A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (23).
Segundo Vieira, a decisão de deixar a função foi motivada por problemas de saúde. Ele afirma que sofre com artrose nos dois joelhos, o que tem dificultado sua mobilidade. “Expliquei que, com artrose nos dois joelhos, estava difícil até minha própria mobilidade”, declarou.
A dispensa foi formalizada pela Portaria de Pessoal SE/MTE nº 437, de 19 de março de 2026, assinada pelo secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego.
Mesmo após a publicação da dispensa, ele segue respondendo pelo expediente até a nomeação oficial dos substitutos, que deve ocorrer nos próximos dias.
Sucessão encaminhada
Vieira informou que indicou para a chefia da fiscalização o auditor fiscal Elmi Saraiva de Souza e, para a gerência regional, Paulo Bonilha. De acordo com ele, ambos foram aprovados no último concurso e possuem perfil técnico para assumir as funções. “Os dois foram aprovados no último concurso e são competentes. O que está indicado por mim é muito técnico”, afirmou.
A posse dos novos responsáveis depende da publicação das nomeações, prevista para os próximos dias.
Atuação marcada por combate a irregularidades
À frente da chefia da fiscalização por seis anos, Vieira afirma ter conduzido uma gestão voltada à prevenção de acidentes de trabalho, ao combate a fraudes em contratos de estágio e irregularidades no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além do enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão.
Vieira também destacou a atuação em fiscalizações que contribuíram para desarticular esquemas irregulares na área da saúde. Segundo ele, as ações foram realizadas em conjunto com a auditora fiscal do trabalho Márcia Maria Rodrigues Ribera e ajudaram a embasar as operações “Copia e Cola I e II”.
Segundo ele, mais de 400 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão na região ao longo dos últimos anos.
Entre os casos de maior repercussão está o resgate de uma indígena que atuava como babá e que, de acordo com a fiscalização, foi vítima de assédio sexual por mais de dois anos. A ação, realizada em conjunto com o Conselho Tutelar, teve repercussão nacional.
Outro episódio citado por Vieira foi a explosão em Cabreúva, em 1º de setembro de 2023, que deixou quase uma dezena de mortos. “Chegamos ao local menos de uma hora depois”, destacou.
Resultados e políticas de inclusão
Além das ações de fiscalização, a gestão também teve foco na inclusão no mercado de trabalho. Segundo Vieira, notificações emitidas pela chefia contribuíram para a contratação de aproximadamente 36 mil aprendizes e 8 mil pessoas com deficiência na região.
Ele afirma que, ao longo do período, houve reconhecimento por parte de entidades sindicais. “Sei que inúmeros sindicatos desejavam que eu continuasse”, disse.
Saída por questões de saúde
Apesar dos resultados, Vieira afirma que a decisão de deixar o cargo já era necessária. “Mas chegou a hora”, completou.