Mudança de estação acende alerta para doenças respiratórias

Por Murilo Aguiar

Larissa com a família: necessidade de adaptação da rotina

A chegada do outono, hoje (20), ocorre em meio a oscilações de temperatura e já provoca reflexos na saúde da população, especialmente entre crianças, mais suscetíveis a problemas respiratórios. A nova estação marca a transição entre o verão e o inverno no hemisfério sul e é caracterizada por redução gradual das chuvas, queda na umidade do ar e maior amplitude térmica ao longo do dia.

A combinação de ar mais seco, variações de temperatura e maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus e o agravamento de quadros alérgicos. Segundo a médica pediatra Thaís Batista, esse cenário contribui para o aumento de doenças respiratórias. “No outono, começamos a ter temperaturas mais amenas, ar mais seco e maior permanência em ambientes fechados. Isso favorece a circulação de vírus respiratórios e também o ressecamento das vias aéreas”, afirma.

De acordo com a médica, estão entre os quadros mais frequentes nas crianças o resfriado comum, a gripe, crises de asma e bronquite, além de rinite alérgica, sinusite, otite e laringite. A maior vulnerabilidade está relacionada ao sistema imunológico em desenvolvimento, às vias aéreas mais estreitas e à maior exposição em ambientes coletivos, como escolas e creches.

Entre os sinais de alerta, a orientação é observar respiração com esforço, chiado no peito, febre persistente, prostração e dificuldade para se alimentar. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação médica e evitar a automedicação, especialmente com antibióticos, que devem ser utilizados apenas com prescrição.

Na rotina das famílias, os efeitos da mudança de estação já são percebidos. A autônoma Larissa Antunes, casada e mãe de três filhos pequenos, relata aumento de sintomas respiratórios nas crianças com a chegada do outono. “Já percebemos um aumento na coriza e nos problemas respiratórios. O Raphael e a Isabella têm bronquite, então são mais propensos. Quando um fica doente, acaba transmitindo para os outros, o que exige atenção redobrada”, diz Larissa.

A variação térmica ao longo do dia também tem exigido mudanças na rotina da família, principalmente diante do calor registrado neste início de estação, segundo Larissa. “Durante o dia faz calor e à noite esfria. Tivemos que adaptar a rotina com mais atenção às roupas e horários para evitar exposição ao frio. Mesmo assim, dois deles já ficaram doentes. Quando se tem filhos com tendência a problemas respiratórios, o cuidado precisa ser diário”,

Outros afetados

Além das crianças, outros grupos também sentem os efeitos da mudança de estação. O aposentado Francisco Menardo, de 67 anos, que mantém o hábito de caminhar no fim da tarde, relata que precisou ajustar a rotina diante das variações de temperatura. “Eu gosto de caminhar todos os dias, mas agora fico mais atento. Tem dia que começa quente e depois esfria rápido, então levo um agasalho e tento evitar mudanças bruscas para não prejudicar a saúde”, descreve.

O promotor de vendas Vinícius Vieira, de 32 anos, afirma que as mudanças de temperatura também interferem na rotina, principalmente por utilizar motocicleta no dia a dia. “Eu ando bastante de moto e sinto muito essa diferença de temperatura”, afirma.

Entre as medidas de prevenção recomendadas por especialistas estão a higienização das mãos, a manutenção de ambientes ventilados, a ingestão adequada de água e uma alimentação equilibrada. A vacinação contra a gripe também é apontada como uma das principais formas de proteção.