Sorocaba passa a ter uma política municipal de atenção a acumuladores de animais

Por Thaís Verderamis

Em alguns casos, a situação sai do controle e se torna um risco para o entorno

A adoção de animais é uma atitude nobre, mas sem controle, pode apresentar uma série de riscos à saúde pública, além de representar maus-tratos. A Prefeitura de Sorocaba publicou no Jornal do Município, na edição do dia 10 de março, a lei que institui a Política Municipal de Atenção aos Acumuladores de Animais na cidade. A medida entende como transtorno o acúmulo de animais como cães e gatos em residências, sem condições adequadas de higiêne, alimentação, saúde e bem-estar. O cenário gera riscos sanitários, sofrimento animal e impacto na saúde física e mental do próprio tutor acumulador. No momento, em Sorocaba, dois casos são acompanhados pela Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema).

Além da identificação de casos na cidade, o objetivo é prevenir situações de maus-tratos e abandono de animais, garantir abordagem humanitária a pessoa acumuladora, desenvolver campanhas de conscientização sobre guarda responsável de animais e promover o bem-estar animal assim como a dignidade humana.

Criação de uma comissão

Segundo a Prefeitura de Sorocaba, o tema exige atenção e envolve a articulação de diversas áreas como: saúde mental, assistência social e proteção animal. “O Município estuda a possibilidade de formação de uma comissão, com representantes de diferentes secretarias municipais envolvidas, para organizar e estruturar como será realizada essa política junto aos acumuladores de animais, com fluxo e protocolos de trabalho, com uma abordagem humanizada”, afirma em nota. Além disso, vale lembrar que, em casos extremos, podem ocorrer proliferação de pragas e insetos, o que pode comprometer a saúde do próprio tutor, como impactar a vida da população no entorno. A rede de saúde pública também atua para fazer os acompanhamentos de saúde mental, como tratamento e suporte.

A prefeitura também explica que só resgata animais em situação de risco iminente. “O trabalho relacionado à proteção animal é focado em oferecer os cuidados necessários para que os animais vivam com qualidade no ambiente onde já vivem (casa do acumulador), com a oferta de castração gratuita, por exemplo, e na orientação para que nenhum outro pet seja adotado. Já quando o munícipe aceita, o Poder Público também auxilia na doação desses animais.”

O principal é o cuidado

Os animais precisam de condições básicas para serem bem cuidados, uma delas é espaço. Segundo o médico veterinário Celso Soares, “cada cão ou gato precisa de alimentação adequada, espaço para se movimentar, ambiente limpo e acompanhamento veterinário”, explica. A princípio o veterinário afirma que em muitos casos o início é marcado pelo resgate de animais, a intenção é boa, mas a quantidade de animais vai crescendo, e com isso, os problemas. “Os prejuízos são grandes, ambientes com muitos animais favorecem doenças infecciosas, parasitas, desnutrição e problemas de pele. Também há muito estresse entre os animais por disputa de espaço e alimento. Além disso, a falta de vacinação e de cuidados veterinários aumenta o risco de disseminação de doenças”, afirma.