Parque da Cacau Show avança e aumenta debate sobre melhorias viárias
Tempo maior de deslocamento e pressão sobre vias urbanas próximas são alguns dos temas em discussão
“Cacau Park: A fantástica fábrica de felicidade” está a todo vapor. As obras avançam e já é possível ver a estrutura da montanha-russa e os prédios tomando forma. Consequentemente, com a atração turística, localizada no km 84 da rodovia Castello Branco, em Itu, o fluxo viário aumentará na região, levantando debates sobre a necessidade de adaptações e melhorias.
Segundo a Prefeitura de Itu, a expectativa divulgada pela empresa responsável é de receber aproximadamente três milhões de visitantes por ano, com picos que podem atingir cerca de 50 mil pessoas por dia no empreendimento. Portanto, as adequações viárias são necessárias.
De acordo com a Prefeitura de Itu, “as adequações viárias, mais próximas ao empreendimento, são responsabilidade do empreendedor, como contrapartida prevista nos estudos de impacto urbano e de tráfego. Já intervenções diretamente na rodovia estadual dependem de autorização e eventual execução em conjunto com o governo do Estado ou a concessionária da via”, explica.
A participação da prefeitura é realizada por meio de licenciamentos urbanísticos e planejamento da mobilidade local, o que possibilita a execução ou coordenação de adequações nas vias municipais, sinalizações e organização do tráfego no entorno do parque.
A concessionária Via Colinas, responsável pelo trecho entre Itu e Tatuí, do quilômetro 79+380 ao 129+600 da rodovia Castello Branco, informou que está em tratativas com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e com o Governo de São Paulo para a implantação de melhorias viárias no trecho.
A Artesp foi procurada pela reportagem do Cruzeiro do Sul, mas não retornou até a conclusão da reportagem. O espaço segue aberto.
Impactos do trânsito
Segundo a engenheira civil e professora de Infraestrutura de Tráfego da Universidade de Sorocaba (Uniso) Fabíola Bergamasco Pálinkás, um empreendimento com grande potencial turístico como vem sendo divulgado gera grandes impactos viários pelo aumento do tráfego.
“Pelo que está sendo divulgado, será um grande atrativo turístico. Isso trará empregos e outros benefícios econômicos para a região. Por outro lado, para o sistema viário esse tipo de empreendimento traz impactos diretos no aumento do tráfego tanto das vias de acesso direto ao parque, quanto nas rodovias próximas e inclusive no sistema viário urbano das cidades do entorno”, explica a especialista.
O grande fluxo de veículos pode alterar a dinâmica. “A Castelo Branco, via que margeia o parque, já é um corredor viário importante de deslocamento regional e intermunicipal. Um parque desse porte tende a atrair visitantes de várias regiões do Estado, principalmente nos finais de semana, feriados e períodos de férias. Isso pode gerar picos de tráfego sazonais concentrados em determinados horários, alterando o padrão atual de circulação”, afirma.
A especialista explica ainda que, para que empreendimentos como este possam ser construídos, são necessários licenciamentos ambientais emitidos pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), além de processos de autorizações com outras instituições. Para conseguir a emissão destas permissões, são exigidos Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) e Estudo de Impacto de Tráfego (EIT), que analisam o fluxo de veículos atual nas vias, a capacidade das rodovias e avenidas de acesso, estimativa do número de visitantes e colaboradores do empreendimento, horários de maior movimentação e a necessidade de novas obras para melhoria do acesso.
Por fim, Fabíola explica que, se os estudos não forem bem efetuados, há dificuldades e problemas estruturais podem surgir como congestionamentos, redução da segurança viária e perda de eficiência das rodovias e avenidas locais. Há ainda impactos indiretos, como: “o aumento do tempo de deslocamento para moradores, dificuldades de acesso para serviços de emergência e pressão sobre vias urbanas que não foram projetadas para receber grandes volumes de tráfego”, afirma a engenheira.