CVV oferece grupo de apoio para sobreviventes do suicídio
Falar sobre o suicídio ainda é um tabu. As marcas ficam não apenas em quem tenta tirar a própria vida, mas também nas pessoas ao redor. Familiares, amigos e testemunhas de uma morte por suicídio frequentemente enfrentam sentimentos de culpa, isolamento e dificuldade para falar sobre a perda. Para oferecer acolhimento a essas pessoas, o Centro de Valorização da Vida (CVV) mantém, em Sorocaba, um grupo de apoio voltado aos chamados “sobreviventes do suicídio”.
No Brasil, uma pessoa morre por suicídio a cada 34 minutos. Na faixa etária entre 15 e 29 anos, essa é a quarta causa de morte mais comum, de acordo com o Ministério da Saúde.
Criado em 2013 como projeto piloto, o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GAS) surgiu a partir da experiência do CVV na prevenção. A proposta é oferecer um espaço de escuta a quem perdeu familiares ou amigos ou sobreviveu a uma tentativa de suicídio.
A voluntária Silvana Martins dos Santos explica como é o funcionamento do grupo: “É um grupo de apoio mútuo, onde a pessoa encontra aqui um grupo que passou pela mesma experiência tão dolorosa, onde elas têm a liberdade de se expressar sem serem interrompidas, serem compreendidas e acolhidas.”
Os encontros do grupo acontecem duas vezes por mês, sempre às quintas-feiras, na segunda e quarta semanas de cada mês, das 19h às 21h. A participação é gratuita e não exige inscrição prévia. Segundo os voluntários, o espaço é mediado, mas as falas são livres e respeitam o tempo de cada participante.
O coordenador de divulgação, Alcebíades Alvarenga da Silva, propõe uma metáfora para explicar como o desabafo ajuda no processo de superação do luto: “Você pega todos os livros e os coloca no chão. À medida que a pessoa vai desabafando, ela vai fazendo esse processo como se fosse uma estante. Depois, por meio do desabafo, ela vai recolocando os livros na estante, descartando aqueles que não servem e organizando os demais.”
Silvana completa: “Cada pessoa vivencia o luto de uma maneira e no seu próprio tempo.”
Além do apoio às famílias, o CVV também enfrenta um desafio: a falta de voluntários. Atualmente, a instituição conta com cerca de 100 pessoas atuando no atendimento, mas a necessidade seria de aproximadamente 150.
Como ser voluntário
Com o intuito de aumentar o número de pessoas dispostas a ingressar no serviço, o CVV está oferecendo curso para novos interessados.
O curso é gratuito e on-line, mas é necessário fazer a inscrição por meio do endereço www.cvv.org.br/seja-voluntario/ ou pelo WhatsApp (15) 98135-5000. São nove encontros, uma vez por semana, com quatro horas de duração cada. A próxima turma terá início no dia 23 de março, das 14h às 18h. Outra turma terá início no dia 25, das 19h às 23h.
Para participar, é necessário ter 18 anos e disponibilidade de três horas semanais para os plantões de atendimento.
O CVV realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio por meio do telefone 188, além de chat e e-mail, com atendimento gratuito e disponível 24 horas por dia.