Sorocaba adota estratégias para ampliar vacinação contra HPV

Imunização gratuita está disponível nas 33 UBSs da cidade, e vacinação em escolas públicas é uma das ações para ampliar a adesão entre jovens

Por Caroline Mendes

Vacina contra o HPV é uma das principais formas de prevenção de câncer associado ao vírus

A vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) tem avançado no Estado de São Paulo nos últimos anos, principalmente entre os meninos. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) mostram que a cobertura vacinal nesse público passou de 47,35% em 2022 para 74,78% em 2025 entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Entre as meninas da mesma faixa etária, o índice também aumentou, passando de 81,85% para 86,76% no mesmo período.

Apesar da melhora, a meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar 90% de cobertura vacinal, patamar considerado ideal para ampliar a proteção coletiva e reduzir a circulação do vírus, responsável por diversos tipos de câncer.

Em Sorocaba, a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente nas 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, público considerado prioritário para a imunização. Desde julho de 2025, o município também ampliou a estratégia e passou a aplicar a vacina, de forma complementar, em adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a dose na idade recomendada.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, essa ação de intensificação resultou na aplicação de 743 doses da vacina em jovens de 15 a 19 anos ao longo de 2025. Como se trata de uma estratégia complementar e não de rotina, não há cálculo de cobertura vacinal específico para esse grupo.

Cobertura vacinal

Entre o público-alvo de rotina — crianças e adolescentes de 9 a 14 anos — a cobertura vacinal em Sorocaba ainda está abaixo da meta nacional. Em 2025, o índice registrado foi de 68,7% entre meninas e 56,4% entre meninos.

Os dados mostram variações conforme a idade. Entre as meninas, a cobertura foi de 58,48% aos 9 anos, 56,31% aos 10, 76,02% aos 11, 71,33% aos 12, 71,59% aos 13 e 79,53% aos 14 anos.

Entre os meninos, os índices foram de 47,69% aos 9 anos, 45,75% aos 10, 67,13% aos 11, 59,79% aos 12, 59,20% aos 13 e 59,48% aos 14 anos.

Os dados referentes a 2026 ainda estão em atualização.

Estratégias

Para ampliar a cobertura vacinal, o governo estadual e os municípios têm adotado estratégias como busca ativa de adolescentes não vacinados, campanhas de orientação e vacinação em escolas.

De acordo com a diretora da Divisão de Imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica da SES-SP, Lígia Neger, essas ações têm sido fundamentais para o avanço da imunização nos últimos anos.

“Esse aumento da cobertura tem relação direta com ações de vacinação nas escolas e a busca ativa de não vacinados. Quando se faz a vacinação nas escolas, também se aproveita o momento para orientar alunos e pais sobre a importância da imunização”, explica.

Segundo ela, o ambiente escolar é considerado estratégico para alcançar esse público, que costuma procurar menos os serviços de saúde. “Estamos falando de crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, que normalmente não frequentam com regularidade as unidades de saúde. Por isso, a vacinação nas escolas se torna uma forma mais eficiente de encontrar quem ainda não foi imunizado”, afirma.

Em Sorocaba, a Secretaria da Saúde informou que pretende dar continuidade à vacinação em unidades escolares públicas ao longo do primeiro semestre, com foco nos estudantes que fazem parte do público-alvo. Até o momento, não foi informada uma data limite para a realização dessa iniciativa.

Desafios para alcançar a meta

Mesmo com os avanços registrados nos últimos anos, ainda existem obstáculos para atingir a meta de 90% de cobertura vacinal. Entre os principais desafios estão a hesitação vacinal e a disseminação de informações falsas sobre a vacina.

De acordo com Lígia Neger, um dos mitos mais recorrentes associa a vacina ao início da vida sexual, o que pode gerar resistência entre alguns pais. “Muitas vezes existe uma associação equivocada entre a vacina e o início da atividade sexual. Na verdade, o ideal é que a vacinação ocorra o mais cedo possível, antes do contato com o vírus, pois nessa faixa etária o organismo apresenta uma melhor resposta à vacina”, explica.

Ela ressalta ainda que a imunização é uma das principais ferramentas para prevenir doenças associadas ao HPV.

Proteção contra o câncer

O papilomavírus humano está relacionado a diversos tipos de câncer, entre eles câncer de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe. Estudos também apontam eficácia da vacina na prevenção de tumores de garganta, boca e laringe.

Atualmente, o esquema vacinal consiste em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, o que tem facilitado a adesão à imunização.

A vacina também pode ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos que apresentam condições clínicas especiais, como pacientes imunossuprimidos, pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados ou pacientes em tratamento oncológico, além de vítimas de abuso sexual.

Em Sorocaba, para receber a vacina é necessário apresentar documento com foto e a carteira de vacinação em uma das unidades básicas de saúde do município.

As autoridades de saúde reforçam que a imunização precoce é essencial para garantir proteção antes do contato com o vírus e reduzir, no futuro, a incidência de doenças associadas ao HPV.